
O estelionato se consolidou como o principal crime patrimonial do Brasil. Em 2025, foram registrados 2.261.055 casos, média de 258 ocorrências por hora e alta de 2,7% em relação ao ano anterior.
Os dados constam na 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada na quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento mostra que o avanço dos golpes ocorre em sentido oposto ao dos roubos tradicionais, que apresentaram queda em diferentes modalidades.
Recuaram os roubos a veículos, residências, estabelecimentos comerciais, transeuntes, cargas e instituições financeiras. O maior recuo foi registrado nos assaltos a bancos e outras instituições financeiras, com queda de 35,5%.
A mudança revela uma transformação no perfil do crime contra o patrimônio. Em vez da abordagem direta nas ruas, criminosos passaram a explorar aplicativos de mensagens, falsas centrais bancárias, compras virtuais, transferências instantâneas e o uso indevido de dados pessoais.
Outro ponto que chama atenção é a distância entre o número de ocorrências e a resposta do sistema penal. Apesar dos mais de 2,2 milhões de boletins de ocorrência, o país registrou 63.771 processos penais e 4.819 pessoas presas por estelionato.
Os números indicam que, enquanto os roubos perdem força, os golpes ganham escala e se beneficiam da rapidez das transações digitais, da possibilidade de atingir várias vítimas ao mesmo tempo e das dificuldades de investigação em crimes que podem envolver autores, contas e linhas telefônicas espalhados por diferentes estados.
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