
A comunicação política, os impactos da inteligência artificial nas campanhas eleitorais, o combate à desinformação e o fortalecimento do jornalismo profissional estiveram no centro dos debates do III Seminário de Comunicação Pública, promovido nessa quinta-feira (23), pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH).
O evento reuniu autoridades, pesquisadores, profissionais da comunicação, especialistas em marketing político e representantes da Justiça Eleitoral para discutir os desafios da democracia diante das transformações tecnológicas e do cenário eleitoral de 2026.
Na abertura, o presidente da Câmara, Professor Juliano Lopes, ressaltou a importância de ampliar o debate sobre comunicação pública em um contexto marcado pelo avanço das redes sociais e pela proximidade das eleições.
A superintendente de Comunicação Institucional da Casa, Raquel Vasconcelos, destacou o papel das instituições públicas na oferta de informação transparente e de qualidade, reforçando que a tecnologia deve servir como ferramenta, sem substituir a responsabilidade ética e humana da comunicação.
Representando a Associação Mineira de Municípios (AMM), Lu Pereira também ressaltou os desafios enfrentados pelas administrações municipais na construção de uma comunicação pública mais eficiente e próxima da população.
A primeira palestra foi conduzida pelo professor e ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Leonardo Spencer, que abordou os desafios da Justiça Eleitoral no enfrentamento à desinformação.
Segundo ele, a rapidez na retirada de conteúdos ilícitos e na tomada de decisões é fundamental para garantir igualdade entre os candidatos e preservar a integridade do processo eleitoral diante da velocidade de propagação das informações nas redes sociais.
O estrategista político Daniel Machado defendeu que não existe estratégia sem mobilização, segundo ele o termo campanha vem de campo, ou seja de ação e reforçou o debate sobre o mito da campanha puramente digital. "O algoritmo entrega conteúdo, mas quem entrega votos é a mobilização", afirmou.
Ao longo do seminário, especialistas também discutiram como a inteligência artificial tem transformado a comunicação política. Entre os principais pontos apresentados por Rodrigo Bueno, esteve a necessidade de integrar estratégias digitais, análise de dados e mobilização presencial.
Outro tema recorrente foi a valorização do jornalismo profissional como instrumento de enfrentamento à desinformação. Nomes de destaque da comunicação, como Edson Costa, Hermano Chiodi, Lucas Ragazzi, Paulo Leite e João Leite, reforçaram o papel dos jornalistas e dos veículos de imprensa na preservação da confiança pública e no fortalecimento da democracia.
Durante sua participação, João Leite definiu os jornalistas como "artesãos da informação" e um "filtro de diversas fontes", destacando que a checagem rigorosa dos fatos, a consulta a múltiplas fontes e a apuração jornalística são elementos indispensáveis para a produção de conteúdo confiável, baseado em método e não em opinião.
Na sequência da programação, os palestrantes discutiram os efeitos das fake news, da crise de confiança nas instituições e das teorias conspiratórias sobre a democracia. A presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), Helcimara Telles, alertou que a sociedade enfrenta um cenário em que opiniões passam a ser tratadas como verdades, favorecendo a disseminação deliberada da desinformação para fins políticos.
Já o consultor e estrategista político Celso Lamounier apresentou experiências internacionais e estratégias de comunicação utilizadas em campanhas eleitorais.
Também foi destaque o lançamento do livro “O Marketing Político no Brasil 2 – Eleições: análises, estratégias e tendências da comunicação política”, organizado pelo Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (Camp). A obra reúne análises de especialistas sobre planejamento de campanhas, comportamento eleitoral e os novos desafios da comunicação política em um ambiente marcado pelo avanço das redes sociais e das novas tecnologias.
Um dos autores da publicação, o jornalista e professor universitário João Henrique Faria, destacou que a comunicação deve ser construída a partir de um diagnóstico do candidato, do cenário e do eleitorado, e não apenas pela presença nas redes sociais. O painel também contou com a participação de outros coautores, como Fabrício Menezes, que discutiram estratégias e tendências para as disputas eleitorais.
Ao reunir diferentes perspectivas sobre comunicação pública, inteligência artificial, marketing político e combate à desinformação, o III Seminário de Comunicação Pública reforçou a necessidade de conciliar inovação tecnológica, responsabilidade institucional e compromisso com a informação de qualidade como pilares para o fortalecimento da democracia brasileira.
O seminário permanece disponível para quem não acompanhou as discussões em tempo real. A gravação completa do evento pode ser acessada pelos canais oficiais da Câmara Municipal de Belo Horizonte: www.cmbh.mg.gov.br
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