
O presidente Lula sancionou a Lei nº 15.475/2026, que proíbe em todo o território nacional a produção, comercialização e importação de foie gras e de outros alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. A norma foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (24) e entrará em vigor em 180 dias.
O texto tem origem no Projeto de Lei nº 90/2020, de autoria do senador Eduardo Girão (Novo-CE), e busca combater práticas consideradas maus-tratos aos animais.
A legislação torna proibido qualquer método, manual ou mecânico, que force um animal a ingerir alimentos além de sua capacidade natural.
Segundo o texto, fica vedado o uso de equipamentos ou instrumentos para introduzir alimento diretamente na garganta, esôfago, papo ou estômago do animal com o objetivo de aumentar artificialmente seu consumo.
A prática passa a ser enquadrada como maus-tratos aos animais.
Quem produzir ou comercializar alimentos obtidos por meio da alimentação forçada poderá responder nas esferas penal e administrativa.
A lei prevê:
O foie gras é um patê tradicional da gastronomia francesa produzido a partir do fígado de gansos ou patos.
Para obter o alimento, as aves são submetidas, nas semanas que antecedem o abate, a um processo conhecido como gavage, no qual um tubo é introduzido pela garganta para forçar a ingestão de grandes quantidades de alimento. O procedimento provoca o aumento do fígado, característica que dá origem ao produto.
A técnica é alvo de críticas há décadas por organizações de proteção animal, que a consideram uma forma de crueldade e sofrimento desnecessário.
Antes da sanção presidencial, produtores franceses pressionaram pelo veto da proposta. O foie gras é um dos produtos alimentícios exportados da França para o Brasil, movimentando cerca de um milhão de euros por ano.
Representantes do setor chegaram a argumentar que a proibição poderia gerar impactos comerciais e contrariar compromissos previstos no acordo entre Mercosul e União Europeia, além de solicitar apoio diplomático da União Europeia para impedir a aprovação da medida.
Mesmo diante das pressões, o projeto foi sancionado e passa a valer em todo o país após o período de 180 dias previsto para adaptação às novas regras.
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