
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Metástase para desarticular uma organização criminosa especializada no roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor. A ação ocorre simultaneamente nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, com cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do esquema.
Segundo as investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC-Cap), o grupo movimentou cerca de R$ 33 milhões entre 2025 e 2026 e contava com apoio da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Até a atualização mais recente da operação, cinco pessoas haviam sido presas.
De acordo com a polícia, a quadrilha utilizava empresas de fachada para inserir novamente no mercado medicamentos roubados durante assaltos a cargas. Os produtos eram destinados tanto a hospitais privados quanto, em alguns casos, a instituições públicas de saúde, por meio de processos licitatórios com preços abaixo dos praticados pelo mercado.
Entre os presos estão Fernanda Rodrigues França, apontada como integrante do núcleo de receptação; Stefano Montovani Fernandes, identificado como líder do esquema e responsável por encomendar roubos de cargas; e Umberto Xavier de Lima, também investigado por receptação. A defesa dos suspeitos informou que eles negam as acusações.
Ao todo, a Justiça expediu cinco mandados de prisão preventiva e 97 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul, Goiânia e Belém. Além das prisões, foi solicitado o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, bem como o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens supostamente adquiridos com recursos do esquema.
Durante as diligências em Santo André (SP), os policiais localizaram medicamentos contra o câncer armazenados dentro de um veículo Jaguar, que foi apreendido.
Segundo o delegado André Prates, responsável pela investigação, a organização agia com extrema violência durante os assaltos. "Esses criminosos roubam medicamentos destinados, muitas vezes, ao abastecimento da rede pública de saúde. São ações realizadas com fuzis e apoio de batedores", afirmou.
As investigações apontam que, após os roubos, as cargas eram levadas para áreas controladas pelo TCP no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. No local, os medicamentos eram armazenados, fracionados e redistribuídos para diferentes estados por meio de empresas farmacêuticas de fachada.
A Polícia Civil identificou uma estrutura dividida em núcleos responsáveis pelos roubos, logística, movimentação financeira e suporte territorial. Também foram descobertos integrantes encarregados de aliciar funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas de alto valor.
Durante a operação, houve intenso tiroteio no Complexo da Maré e criminosos incendiaram barricadas para dificultar o avanço das equipes policiais. Em razão dos confrontos, unidades de saúde da região tiveram o funcionamento parcialmente afetado.
Para a Polícia Civil, o esquema representa um risco que vai além dos prejuízos financeiros. Os investigadores alertam que medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem controle rigoroso de temperatura e armazenamento. Quando essas condições não são respeitadas, os produtos podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou colocar em risco a vida dos pacientes que dependem desses tratamentos. Além disso, o roubo das cargas compromete o abastecimento da rede pública e privada de saúde, afetando diretamente pessoas em tratamento contra o câncer, pacientes transplantados e portadores de doenças autoimunes.

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