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Governo Trump cita desmatamento para justificar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Especialista afirma que argumento ambiental não se sustenta e aponta redução do desmatamento no Brasil nos últimos anos

20/07/2026 às 12h32
Por: Cristiane Cirilo
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© Orlando K Junior/Divulgação
© Orlando K Junior/Divulgação

A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros tem sido acompanhada de críticas às políticas ambientais do Brasil, incluindo alegações relacionadas ao desmatamento. No entanto, especialistas contestam a justificativa e afirmam que o argumento não encontra respaldo nos dados mais recentes sobre a preservação ambiental no país.

Para o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, a questão ambiental tem sido utilizada como justificativa para a adoção de barreiras comerciais. Segundo ele, a medida é de natureza política e não reflete a realidade dos indicadores ambientais brasileiros.

Astrini destaca que o governo norte-americano abandonou compromissos internacionais relacionados ao clima, como o Acordo de Paris, e argumenta que os Estados Unidos não adotam medidas equivalentes para reduzir suas emissões de carbono. Na avaliação do pesquisador, outros países com índices elevados de desmatamento não foram alvo de medidas semelhantes.

O especialista também atribui a redução do desmatamento às ações de fiscalização realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), fortalecidas com recursos do Fundo Amazônia.

Dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), elaborado pela iniciativa MapBiomas, mostram que o país registrou menos de 1 milhão de hectares de vegetação nativa desmatados em 2025, totalizando 984.794 hectares. O resultado representa uma redução de 20,6% em relação a 2024 e marca a primeira vez, desde 2019, que o índice fica abaixo desse patamar.

Segundo o levantamento, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 84% da área desmatada no país. O Cerrado permaneceu como o bioma mais afetado, com 540.614 hectares desmatados, embora tenha registrado queda de 16,9% em comparação com o ano anterior. Na Amazônia, a área desmatada caiu 23,5%, totalizando 289.478 hectares.

O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre todos os biomas brasileiros, com queda de 48,4% na área desmatada em relação a 2024.

O estudo aponta ainda que a expansão da agropecuária continua sendo a principal causa da perda de vegetação nativa no Brasil. Em 2025, essa atividade respondeu por cerca de 99% do desmatamento registrado no país. Já o desmatamento associado ao garimpo permaneceu concentrado quase integralmente na Amazônia, especialmente no estado do Pará.

Também foram identificados desmatamentos ligados à expansão urbana e à implantação de empreendimentos de energia renovável. No caso da expansão urbana, houve aumento de 7% em relação ao ano anterior, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia. Já os empreendimentos de energia renovável tiveram maior impacto na Caatinga.

O governo brasileiro tem defendido que as políticas de combate ao desmatamento vêm apresentando resultados e que o uso de questões ambientais como justificativa para restrições comerciais deve ser baseado em critérios técnicos e dados verificáveis.

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