
A situação do acervo do Palácio das Mangabeiras foi tema de audiência pública na Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Durante a reunião, representantes do Governo de Minas apresentaram um inventário detalhado com a localização dos bens que integravam a antiga residência oficial dos governadores até 2019.
Segundo a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), o levantamento reúne mais de 3.900 itens, entre móveis, obras de arte, livros, pratarias, utensílios e peças de decoração. Os bens estão distribuídos entre o próprio Palácio das Mangabeiras, o Palácio da Liberdade, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, o Museu Mineiro, a Fundação Clóvis Salgado, o Palácio Tiradentes e outros órgãos estaduais. Parte das obras também está sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) ou em processo de restauração na Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop).
A audiência foi solicitada pelo deputado Leleco Pimentel (PT), após uma visita ao Palácio apontar a ausência de alguns móveis e obras de arte. Durante o debate, parlamentares questionaram a falta de itens como um quadro do artista Carlos Bracher e pediram esclarecimentos sobre o inventário, que será encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Codemge afirmou que a documentação está completa e informou que as fotografias do levantamento foram feitas nas últimas semanas.
A presidente da Codemge, Luísa Barreto, também apresentou um histórico da gestão do Palácio das Mangabeiras. Ela explicou que o imóvel passou para a administração da companhia em 2019 e, desde 2022, é gerido por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), formada pela Codemge, pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) e empresas parceiras. Segundo ela, o modelo ampliou o acesso da população ao espaço e permitiu receber mais de 55 mil visitantes em 2025, além de garantir recursos para manutenção e conservação do prédio.
Entre as melhorias realizadas estão a recuperação dos jardins projetados por Burle Marx, a revitalização de pisos, a criação de uma exposição permanente sobre a história do Palácio, um parque infantil e uma pista de bicicleta. A Codemge afirma que toda a receita obtida com eventos é destinada à preservação da estrutura.
O uso do Palácio para festas, casamentos e eventos privados gerou divergências entre os parlamentares. Deputados da oposição defenderam maior fiscalização, criticaram possíveis intervenções no patrimônio histórico e anunciaram representações ao Tribunal de Contas do Estado e à Polícia Federal para investigar a destinação dos bens e eventuais danos ao patrimônio público. Já parlamentares da base governista argumentaram que a abertura do espaço democratizou o acesso da população a um patrimônio antes restrito aos governadores.
Ao final da audiência, a Comissão de Cultura aprovou a realização de uma nova reunião, com participação de museólogos, historiadores e especialistas em patrimônio, para aprofundar o debate sobre a preservação do acervo e o futuro do Palácio das Mangabeiras.
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