14°C 25°C
Belo Horizonte, MG
Publicidade

Morre aos 86 anos o cineasta Orlando Senna, referência do cinema brasileiro e latino-americano

Diretor, roteirista e gestor cultural teve papel decisivo na produção audiovisual do país e na formulação de políticas públicas para o setor

10/06/2026 às 07h28
Por: Cristiane Cirilo
Compartilhe:
Reprodução
Reprodução

Morreu na terça-feira (9), aos 86 anos, o cineasta, roteirista e escritor Orlando Senna, um dos nomes mais influentes do audiovisual brasileiro nas últimas décadas. Segundo familiares, ele enfrentava problemas de saúde agravados nos últimos anos e não resistiu a complicações decorrentes de um quadro de broncopneumonia.

De acordo com pessoas próximas, Senna passou mal no último domingo (7) e foi levado nesta terça-feira para uma unidade de pronto atendimento em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O cineasta chegou a ser intubado, mas morreu após tentativas de reanimação.

Nascido em Lençóis, na Bahia, em 1940, Orlando Senna construiu uma trajetória marcada pela atuação em diferentes áreas da cultura. Como cineasta, dirigiu e escreveu obras que se tornaram referências do cinema nacional, entre elas o filme Iracema, Uma Transa Amazônica, codirigido com Jorge Bodanzky. A produção ganhou reconhecimento dentro e fora do país ao retratar os impactos sociais da ocupação da Amazônia durante o regime militar.

Além da produção artística, Senna teve participação relevante na formulação de políticas públicas para o setor audiovisual. Entre 2003 e 2007, ocupou o cargo de secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, período em que coordenou iniciativas voltadas à ampliação do acesso a recursos públicos para a produção cinematográfica.

Também esteve à frente da Empresa Brasil de Comunicação como diretor-geral e participou da implantação da TV Brasil, projeto considerado um marco na comunicação pública do país.

Sua atuação ultrapassou as fronteiras brasileiras. Ao lado do cineasta Fernando Birri e do escritor Gabriel García Márquez, foi um dos fundadores da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba, tornando-se uma referência para a formação de profissionais do audiovisual na América Latina.

A morte de Orlando Senna gerou manifestações de pesar entre cineastas, críticos, gestores culturais e artistas. Nas redes sociais, a jornalista e crítica de cinema Maria do Rosário Caetano destacou a importância de sua trajetória e o legado deixado para o cinema brasileiro.

Homenagem recente

Pouco mais de um mês antes de sua morte, Orlando Senna foi homenageado na mostra retrospectiva "Orlando Senna / Cinema, Brasil e América Latina", realizada na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro. O evento reuniu exibições de filmes, debates e encontros com o público e contou com a participação do próprio cineasta.

A curadora da mostra, Diana Iliescu, afirmou que a presença de Senna durante toda a programação tornou a homenagem ainda mais significativa. Segundo ela, o cineasta participou dos debates, reencontrou amigos e recebeu o reconhecimento de colegas e admiradores de sua obra.

Ao longo de mais de cinco décadas de atuação, Orlando Senna ajudou a consolidar o cinema brasileiro dentro e fora do país, combinando produção artística, formação de profissionais e participação na construção de políticas públicas voltadas para a cultura. Seu legado permanece presente em obras, instituições e gerações de cineastas influenciadas por sua trajetória.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.