
O Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 243 milhões para 49 municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Os recursos serão distribuídos entre 38 cidades mineiras e 11 capixabas e deverão ser utilizados em ações de compensação dos impactos causados à saúde da população afetada pela tragédia.
A autorização foi publicada nesta terça-feira (9) no Diário Oficial da União. Para ter acesso aos recursos, os municípios precisaram apresentar previamente planos de ação voltados para a área da saúde.
Os valores integram o novo acordo de reparação dos danos provocados pelo desastre ambiental, firmado em outubro de 2024 entre o poder público e as mineradoras responsáveis pelo empreendimento.
Entre os municípios contemplados, Mariana receberá a maior parcela dos recursos, com R$ 24,5 milhões. Em seguida aparecem Serra, no Espírito Santo, com R$ 21,9 milhões, e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, com R$ 19,9 milhões.
Também estão entre os maiores beneficiados São Mateus (R$ 18,6 milhões), Linhares (R$ 13,7 milhões), Colatina (R$ 13,6 milhões), Ipatinga (R$ 9,8 milhões), Baixo Guandu (R$ 8,8 milhões), Caratinga (R$ 8,7 milhões) e Aracruz (R$ 8,6 milhões).
Os repasses fazem parte do novo acordo de Mariana, estimado em R$ 170 bilhões. O documento prevê que as mineradoras Samarco e suas controladoras, a Vale e a BHP, destinem R$ 12 bilhões para compensações relacionadas aos impactos na saúde das populações atingidas.
Desse total, R$ 1,8 bilhão foram reservados para financiar políticas públicas e ações executadas diretamente pelos municípios. O montante liberado nesta etapa corresponde a parte desses recursos.
Segundo o acordo, o dinheiro permanece em um fundo privado administrado pelo governo federal, responsável por realizar as transferências aos municípios contemplados. Parte dos valores já havia sido disponibilizada ao longo de 2025.
O Ministério da Saúde ainda não informou se novas parcelas serão liberadas nos próximos meses.
O rompimento da barragem de Fundão ocorreu em 5 de novembro de 2015, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. Considerado um dos maiores desastres ambientais da história do país, o acidente lançou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na Bacia do Rio Doce.
A lama destruiu comunidades inteiras, comprometeu atividades econômicas e ambientais ao longo do curso do rio e chegou ao Oceano Atlântico, no litoral do Espírito Santo. Ao todo, 49 municípios foram impactados direta ou indiretamente pela tragédia, que deixou 19 mortos e gerou uma série de ações de reparação que seguem em andamento mais de uma década depois.
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