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Novas regras do Minha Casa, Minha Vida entram em vigor nesta quarta-feira e ampliam acesso à casa própria

Limites de renda e valor dos imóveis sobem; governo aposta em retomada do crédito para a classe média

22/04/2026 às 10h07
Por: Cristiane Cirilo
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Zack Stencil/MCID
Zack Stencil/MCID

Entram em vigor nesta quarta-feira (22) as novas regras do programa habitacional do governo federal, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A partir de agora, financiamentos passam a ser realizados com condições atualizadas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, ampliando o alcance do programa para famílias com renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil.

As mudanças reposicionam o programa como uma alternativa também para a classe média, que vinha enfrentando dificuldades para acessar crédito imobiliário fora das faixas subsidiadas, sobretudo em um cenário de juros elevados.

Uma das principais alterações está na atualização dos limites de renda familiar mensal em todas as faixas do programa. A Faixa 1 passa a atender famílias com renda de até R$ 3.200. Já a Faixa 2 sobe para R$ 5 mil, enquanto a Faixa 3 chega a R$ 9.600. A Faixa 4, criada recentemente, agora contempla rendas de até R$ 13 mil.

Na prática, a mudança permite que famílias que estavam fora do programa passem a se enquadrar em condições mais vantajosas, com acesso a taxas de juros mais baixas.

Especialistas apontam que o ajuste corrige uma defasagem dos limites anteriores, que não acompanhavam a valorização dos imóveis nos últimos anos.

Além da renda, o teto de valor dos imóveis financiados também foi ampliado. Nas Faixas 1 e 2, os valores variam entre R$ 210 mil e R$ 275 mil, dependendo da localidade. Na Faixa 3, o limite subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Já na Faixa 4, o teto passou de R$ 500 mil para R$ 600 mil.

A mudança amplia o leque de opções disponíveis aos compradores, permitindo acesso a imóveis maiores ou melhor localizados, sem sair das condições do programa.

A atualização deve beneficiar diretamente cerca de 87,5 mil famílias, segundo estimativas do governo federal. Parte significativa desse público é composta por famílias de classe média que, até então, enfrentavam juros mais altos no mercado tradicional de financiamento.

O movimento ocorre em um contexto de crédito ainda pressionado. Após um período com a taxa Selic em patamares elevados atualmente em 14,75%, o acesso ao financiamento imobiliário fora do programa ficou mais restrito.

Com as novas regras, famílias que estavam logo acima das faixas de corte passam a ter acesso a condições mais favoráveis, reduzindo o custo total do financiamento.

Analistas avaliam que a ampliação do programa pode impulsionar o setor da construção civil, que teve no Minha Casa, Minha Vida um dos principais motores de crescimento em 2025.

O aumento do teto de renda que saltou de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano também reforça a estratégia do governo de ampliar o alcance social do programa e estimular a atividade econômica.

Na avaliação de especialistas, as novas regras aumentam a capacidade de compra das famílias. Com o mesmo nível de renda, será possível financiar imóveis melhores ou reduzir o valor da entrada, o que tende a aquecer a demanda já nos próximos meses.

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