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Assembleia de MG debate trabalho escravo após resgate de mais de mil trabalhadores no estado

Audiência pública será realizada em Pouso Alegre e discute avanço de casos no Sul de Minas

22/04/2026 às 11h01
Por: Cristiane Cirilo
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A Assembleia Legislativa de Minas Gerais promove, na sexta-feira (24), uma audiência pública para discutir a situação do trabalho escravo e do trabalho análogo à escravidão no estado. O encontro será realizado na Câmara Municipal de Pouso Alegre, no Sul de Minas, a partir das 14h.

A reunião é organizada pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, por iniciativa do deputado estadual Betão (PT). O objetivo é debater o cenário atual e as medidas de combate a esse tipo de crime, que ainda persiste em diversas regiões mineiras.

Dados apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego indicam que 1.067 trabalhadores foram resgatados de condições degradantes em Minas Gerais nos últimos dois anos. O estado lidera o número de casos identificados no país, com 122 empresas autuadas na chamada “lista suja” do trabalho escravo.

Segundo o superintendente regional do órgão, Carlos Calazans, o alto número não significa necessariamente maior incidência do crime, mas sim maior eficiência na fiscalização e repressão.

Entre os episódios recentes citados por autoridades está o resgate de uma trabalhadora doméstica que, segundo relato, viveu por décadas em condições precárias em uma residência de alto padrão em Belo Horizonte.

Também foram registrados casos envolvendo imigrantes, como bolivianos e venezuelanos, encontrados em oficinas de confecção na capital e em Betim, submetidos a jornadas exaustivas e sem condições básicas de trabalho.

Outro caso citado envolve o resgate de 121 pessoas em uma fazenda de alho em Rio Piracicaba, incluindo crianças e uma mulher grávida.

De acordo com o deputado Betão, o Sul de Minas é uma das regiões com maior incidência de casos, especialmente em atividades ligadas à colheita de café: setor que ainda registra práticas de exploração da mão de obra.

A audiência também ocorre após a divulgação da “lista suja” do trabalho escravo no estado, entregue à Assembleia no último dia 15 de abril. Parlamentares cobram maior transparência na divulgação oficial dos dados.

Entre os convidados confirmados estão representantes do Judiciário, como a desembargadora Adriene de Moura David, além de lideranças sindicais e entidades ligadas aos trabalhadores rurais.

A expectativa é que o encontro contribua para fortalecer ações de combate ao trabalho escravo, ampliar a fiscalização e discutir políticas públicas voltadas à proteção dos trabalhadores em Minas Gerais.

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