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Proposta que acaba com escala 6x1 avança no Congresso e reacende debate sobre jornada de trabalho no Brasil

Projeto enviado pelo governo reduz carga semanal para 40 horas, amplia descanso e proíbe corte de salários; medida divide opiniões entre trabalhadores e empresários

20/04/2026 às 11h05
Por: Cristiane Cirilo
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Cláudio | Valor Econômico
Cláudio | Valor Econômico

O envio ao Congresso Nacional do projeto que prevê o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos com apenas um de descanso, abriu um novo capítulo no debate sobre jornada de trabalho no Brasil. A proposta, encaminhada com urgência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece mudanças significativas nas regras atuais, com impacto direto na rotina de milhões de trabalhadores.

Entre os principais pontos, o texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, a garantia de dois dias de descanso remunerado e a proibição de qualquer redução salarial.

A proposta cria um novo padrão de jornada no país, aproximando o modelo brasileiro do regime 5x2, cinco dias de trabalho e dois de descanso. O texto também amplia a abrangência das regras, incluindo diversas categorias profissionais, como trabalhadores domésticos, comerciários, aeronautas e radialistas.

Mesmo com a mudança, o projeto mantém a possibilidade de escalas diferenciadas, como a 12x36, desde que respeitada a média de 40 horas semanais.

A proposta atinge diretamente uma parcela significativa da população. Atualmente, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham no modelo 6x1, com apenas um dia de folga por semana. No total, aproximadamente 37,2 milhões de trabalhadores têm jornadas superiores a 40 horas semanais.

A expectativa é que a medida contribua para melhorar a qualidade de vida, reduzir o desgaste físico e mental e ampliar o tempo disponível para atividades pessoais, estudo e convivência familiar.

Dados recentes apontam que o Brasil registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho em 2024, o que reforça a discussão sobre os impactos das jornadas prolongadas.

Entre trabalhadores, a proposta é vista como uma oportunidade de equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Profissionais que enfrentam longas jornadas destacam o impacto do cansaço físico e mental no dia a dia e defendem a ampliação do tempo de descanso.

Por outro lado, o tema também levanta preocupações no setor produtivo, especialmente entre micro e pequenos empresários. Representantes desse segmento apontam que a mudança pode exigir reorganização das equipes e aumento de custos operacionais, principalmente em negócios com margens reduzidas.

O projeto também tem como objetivo enfrentar desigualdades no mercado de trabalho. Jornadas mais longas são mais comuns entre trabalhadores de menor renda e escolaridade, o que faz com que a proposta tenha impacto social relevante.

Ao ampliar o tempo de descanso e limitar a carga horária, a medida busca melhorar as condições de trabalho e promover maior equilíbrio entre diferentes categorias profissionais.

A redução da jornada de trabalho não é um movimento isolado. Países como Chile e Colômbia já aprovaram mudanças semelhantes, com redução gradual da carga horária semanal. Na Europa, jornadas de 40 horas ou menos já são predominantes, com casos como o da França, que adota 35 horas semanais.

Especialistas apontam que, quando implementadas com planejamento, jornadas mais curtas podem contribuir para aumento da produtividade, redução de afastamentos e melhoria do ambiente de trabalho.

O projeto ainda será analisado pelo Congresso Nacional, onde pode sofrer alterações antes de uma eventual aprovação. O debate deve envolver diferentes setores da sociedade, incluindo representantes de trabalhadores, empresários e especialistas em economia e relações de trabalho.

A proposta marca uma possível mudança estrutural no mercado de trabalho brasileiro e reacende discussões sobre produtividade, bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

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