Na próxima terça-feira (24), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento dos cinco acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes.
O caso, que completa oito anos desde a morte de Marielle e Anderson a tiros no Rio de Janeiro em 14 de março de 2018, chega à Corte máxima após extensa tramitação e investigações que apontaram envolvimento de agentes públicos e interesses ligados a milícias.
A ação penal (AP 2434) analisará se os denunciados serão condenados pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa. Estão no banco dos réus:
• Domingos Inácio Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ)
• João Francisco Inácio Brazão (Chiquinho Brazão), ex-deputado federal
• Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio
• Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar
• Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão
Todos negam participação no crime e estão presos preventivamente. A ação foi enviada ao STF em 2024 após novas linhas de investigação e a identificação de indícios que atingiriam autoridades com foro privilegiado.
Em 2018, Marielle e Anderson foram alvejados por diversos disparos enquanto estavam em um veículo no centro do Rio de Janeiro, a assessora Fernanda Chaves sobreviveu ao ataque. A morte da vereadora, que tinha forte atuação contra a violência policial, a presença de milícias e disputas fundiárias em comunidades do Rio, gerou repercussão nacional e internacional.
Investigações apontam que os irmãos Brazão teriam oferecido pagamento milionário ao então executor dos disparos, Ronnie Lessa, condenado como um dos atiradores, para que o crime fosse cometido. A delação e outras provas formaram a base da denúncia contra os mandantes.