
O rombo provocado pelo colapso do conglomerado do Banco Master e de instituições financeiras ligadas a ele já se consolida como um dos maiores da história do sistema financeiro brasileiro. De acordo com dados divulgados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o impacto total nas garantias chega a R$ 51,8 bilhões, valor que corresponde a 48,05% de todo o lucro líquido registrado pelos principais bancos brasileiros em 2025.
O montante resulta da soma das garantias do Banco Master (R$ 40,6 bilhões), do Will Bank (R$ 6,3 bilhões) e do Banco Pleno (R$ 4,9 bilhões), todas instituições que foram liquidadas extrajudicialmente pelo Banco Central do Brasil. O valor considera apenas as garantias do FGC, sem incluir os empréstimos emergenciais concedidos pelo fundo para sustentar o sistema.
Segundo o FGC, o Banco Pleno possui cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis à garantia. A instituição, assim como a Pleno DTVM, já integrou o conglomerado do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras. O Pleno pertence ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master.
O impacto financeiro contrasta diretamente com os resultados do setor bancário. Em 2025, os quatro principais bancos brasileiros listados na B3 encerraram o ano com lucro líquido combinado de R$ 107,8 bilhões, segundo levantamento do mercado. O rombo no FGC, portanto, representa quase metade de todo esse resultado.
Liquidações em série
Criado em 1995, o FGC é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que funciona como um seguro para depósitos e determinados investimentos realizados em instituições financeiras. O fundo é abastecido por contribuições periódicas dos próprios bancos associados, como bancos comerciais, de investimento, de desenvolvimento e a Caixa Econômica Federal.
A sequência de colapsos começou com a liquidação extrajudicial do Banco Master, em 18 de novembro de 2025, diante da apuração de um suposto esquema envolvendo títulos falsos. Em 21 de janeiro de 2026, foi a vez do Will Bank, por problemas de solidez financeira. Já o Banco Pleno teve sua liquidação decretada nesta quarta-feira (18).
No mesmo período, também houve a liquidação da Reag, em janeiro, mas, por se tratar de uma gestora de recursos, não houve impacto direto sobre o FGC.
Os clientes do Banco Master já começaram a receber os valores cobertos pela garantia. No caso do Will Bank, houve pagamento parcial antecipado. Já os clientes do Banco Pleno aguardam a liberação, que depende do envio das informações oficiais do liquidante ao FGC.
O liquidante, indicado pelo Banco Central, é o responsável por realizar o inventário de ativos e passivos da instituição e encaminhar a lista de credores e valores a serem ressarcidos.
Bancões e contraste financeiro
O lucro combinado de R$ 107,8 bilhões dos grandes bancos em 2025 representou queda de 4,4% em relação a 2024. O desempenho foi impactado principalmente pelo resultado do Banco do Brasil, que registrou queda de 45,4% no lucro líquido ajustado, totalizando R$ 20,7 bilhões, sob forte influência da inadimplência no agronegócio.
Entre os privados, o Itaú liderou novamente os resultados, com lucro gerencial de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre. O Bradesco registrou lucro recorrente de R$ 6,5 bilhões no mesmo período, enquanto o Santander teve lucro gerencial de R$ 4,086 bilhões, o melhor resultado trimestral em quatro anos.
Liquidação do Banco Pleno
Nesta quarta-feira (18), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., com extensão à Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., integrantes do conglomerado prudencial Pleno. Segundo o BC, trata-se de um conglomerado de pequeno porte, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, com apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional.
A autarquia informou que a medida foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, deterioração da liquidez, descumprimento de normas regulatórias e inobservância de determinações do próprio Banco Central. Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores do banco e da DTVM ficaram indisponíveis.
O BC informou ainda que seguirá apurando responsabilidades, com possibilidade de aplicação de sanções administrativas e comunicação às autoridades competentes.
O caso Master, que começou como um escândalo financeiro isolado, já se configura como uma crise sistêmica de grandes proporções, com impacto direto sobre o FGC, o sistema bancário e a confiança no mecanismo de proteção aos investidores e depositantes no Brasil.
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