
O governo federal prevê iniciar em 2027 o Pé-de-Meia Universitário, nova modalidade do programa de incentivo financeiro voltada a estudantes de baixa renda matriculados em universidades públicas. A proposta deve atender alunos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e oferecer pagamentos mensais para ajudar na permanência e na conclusão da graduação.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, apresentou os detalhes da iniciativa nesta quarta-feira (4), durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov. Segundo ele, o Ministério da Educação (MEC) está na fase final de elaboração do programa, após quatro anos de estudos.
A proposta prevê uma bolsa de R$ 700 por mês, durante dez meses do ano letivo. Além disso, o estudante terá R$ 250 mensais depositados em uma poupança, também ao longo de dez meses.
Ao concluir a graduação em quatro anos, o universitário poderá resgatar o valor acumulado, estimado em R$ 10 mil, com correção pela inflação. A intenção é que o dinheiro ajude o recém-formado a iniciar a vida profissional.
Para receber os valores, o estudante deverá cumprir condições relacionadas à permanência e à conclusão do curso dentro do prazo previsto.
Segundo Barchini, a iniciativa considera as mudanças no perfil dos alunos das universidades federais. De acordo com o ministro, há duas décadas, dois terços dos estudantes dessas instituições vinham da rede privada. Atualmente, a proporção se inverteu, e dois terços são egressos de escolas públicas.
O ministro afirmou que, além de garantir o acesso ao ensino superior, é necessário oferecer condições para que os estudantes consigam permanecer na universidade até a formatura.
Outra mudança anunciada pelo Ministério da Educação é a universalização do Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio da rede pública. A previsão é que a ampliação comece em março de 2027, junto com o início do ano letivo.
Atualmente, o benefício é destinado a alunos do ensino médio público que pertencem a famílias inscritas no CadÚnico e atendem aos critérios do programa. Com a mudança, a intenção do governo é estender o pagamento a todos os estudantes da rede pública.
Segundo Barchini, o MEC está concluindo os estudos para definir como será feita a implementação. A expectativa é finalizar essa etapa em até 30 dias.
O ministro afirmou que a ampliação busca evitar diferenças entre estudantes de uma mesma turma, já que atualmente alguns recebem o incentivo financeiro e outros ficam de fora por não atenderem aos critérios de renda.
Criado em 2024, o Pé-de-Meia oferece incentivo financeiro para estimular a permanência dos jovens na escola e a conclusão do ensino médio.
O programa pode pagar até R$ 9,2 mil por estudante ao longo dessa etapa de ensino, desde que sejam cumpridas as exigências de frequência e participação nas atividades previstas.
Entre 2024 e 2026, a iniciativa recebeu R$ 24 bilhões em investimentos federais e teve como público estimado cerca de 7,4 milhões de estudantes de baixa renda.
De acordo com dados apresentados pelo ministro, entre 2022 e 2025, o abandono escolar no ensino médio público caiu 61%. No mesmo período, a reprovação diminuiu 62%, enquanto a distorção idade-série, indicador que mede o atraso escolar em relação à idade adequada, recuou 28%.
A modalidade universitária ainda depende da conclusão do desenho do programa e da implementação prevista para 2027. Os critérios definitivos de participação deverão ser detalhados pelo MEC.
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