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SUS e Hospital Einstein desenvolvem inteligência artificial para identificar doenças de pele

Aplicativo analisa fotos de lesões e informações clínicas dos pacientes; ferramenta já apresenta cerca de 80% de acerto e poderá auxiliar profissionais da atenção básica

05/11/2026 às 07h52
Por: Cristiane Cirilo
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Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

O Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial para ajudar profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) a identificar doenças de pele. Batizado de CUTIS-AI, o sistema utiliza imagens de lesões e informações clínicas, epidemiológicas e sociodemográficas dos pacientes para apoiar a triagem e a avaliação inicial.

A tecnologia foi desenvolvida para auxiliar principalmente equipes da atenção básica, onde nem sempre há especialistas disponíveis para avaliar determinadas lesões. O aplicativo pode funcionar mesmo sem conexão com a internet, o que permite seu uso em localidades com acesso limitado à rede.

Entre as doenças que podem ser identificadas pela ferramenta estão esporotricose, leishmaniose cutânea, hanseníase, cromoblastomicose, lobomicose e tuberculose cutânea. O sistema também contempla lesões provocadas por acidentes loxoscélicos, causados pela picada da aranha-marrom.

Ainda em fase de estudo, o aplicativo apresenta taxa de acerto de aproximadamente 80%, segundo os responsáveis pelo projeto. A proposta é oferecer uma ferramenta de apoio à tomada de decisão, sem substituir o diagnóstico e a avaliação clínica feitos pelos profissionais de saúde.

Base de dados reúne pacientes e imagens

O desenvolvimento do CUTIS-AI conta com informações de aproximadamente 1,4 mil pacientes e mais de 4 mil imagens de lesões de pele. Esse material é utilizado para treinar o sistema e ampliar sua capacidade de reconhecer diferentes características das doenças.

A base reúne dados de pessoas com diferentes fototipos de pele, condições de vida e perfis epidemiológicos. A diversidade é considerada importante para evitar que a ferramenta apresente bons resultados apenas em grupos específicos da população.

A cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho, afirma que o objetivo é ampliar a capacidade de identificação de doenças que ainda representam um desafio para profissionais da rede pública, especialmente em regiões com menor oferta de especialistas.

Tecnologia considera características da população brasileira

Um dos pontos do projeto é desenvolver uma ferramenta baseada em informações da própria população brasileira. Segundo o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior, a diversidade dos dados é fundamental para que a inteligência artificial tenha desempenho adequado em diferentes grupos.

A tecnologia foi elaborada a partir de entrevistas com profissionais da atenção básica, com o objetivo de considerar as necessidades e as condições de trabalho das equipes que poderão utilizar o aplicativo.

O projeto busca facilitar a identificação inicial de doenças de pele e contribuir para o encaminhamento dos pacientes aos serviços adequados. Como ainda está em estudo, o CUTIS-AI não deve ser tratado como substituto da consulta médica ou de exames necessários para confirmar um diagnóstico.

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