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Suspeita de matar cinco filhos será julgada pelo Tribunal do Júri em Timóteo

Decisão da Justiça acolhe denúncia do MPMG e mantém prisão preventiva da investigada, que também responde por suposta tentativa de matar outro filho e coação de testemunhas

27/10/2026 às 15h05
Por: João Vitor Viana
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Divulgação
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A Justiça de Minas Gerais determinou que Gissele Rosângela de Oliveira seja submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri, sob suspeita de provocar a morte de cinco filhos e tentar matar um sexto. A decisão de pronúncia foi proferida em 22 de outubro pela juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes, da Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Timóteo, no Vale do Aço, após denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

De acordo com a acusação, os crimes teriam ocorrido entre 2007 e 2023, nos municípios de Jaguaraçu e Timóteo. A denúncia aponta que a investigada teria administrado repetidamente substâncias tóxicas, venenos e medicamentos de uso controlado aos filhos. Em determinados episódios, também teria recorrido a mecanismos de asfixia. Todas as vítimas eram menores de idade.

A investigação também atribui à mulher supostas ameaças e tentativas de constranger testemunhas e informantes entre abril e setembro de 2025, com o objetivo de interferir nas apurações policiais. Por esse motivo, ela também responderá por coação no curso do processo. A defesa alegou falta de provas e de indícios suficientes de autoria, pediu a impronúncia da acusada e contestou as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público.

Qualificadoras e prisão preventiva

Ao fundamentar a decisão, a magistrada considerou que os elementos reunidos, incluindo resultados de exames toxicológicos, apresentam indícios suficientes para que o caso seja analisado pelo Conselho de Sentença. Segundo a juíza, a ausência de testemunhas oculares, isoladamente, não é motivo suficiente para impedir que a acusada seja levada a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Pelas cinco mortes, a ré responderá por crimes com qualificadoras relacionadas a motivo torpe, emprego de veneno ou de meio insidioso ou cruel, asfixia e recurso que teria dificultado a defesa das vítimas. A definição definitiva sobre a autoria e a dinâmica dos fatos caberá aos jurados durante o julgamento.

A Justiça também manteve a prisão preventiva de Gissele Rosângela de Oliveira e negou o direito de recorrer em liberdade. A decisão de pronúncia determina que a acusada seja submetida ao Tribunal do Júri, mas não representa uma condenação: a responsabilidade criminal será definida após o julgamento, com respeito ao devido processo legal.

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