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Cuidados paliativos no SUS ajudam pacientes com doenças graves a aliviar dores e enfrentar o tratamento

Atendimento vai além dos sintomas físicos, oferece apoio emocional e social e também acolhe familiares; serviço está disponível em hospitais universitários federais

10/10/2026 às 12h00
Por: Cristiane Cirilo
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HU Brasil
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Os cuidados paliativos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) buscam melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças graves, aliviar o sofrimento e oferecer apoio aos familiares durante o tratamento. O atendimento não se restringe aos pacientes em fase final da vida: pode começar desde o diagnóstico e acompanhar diferentes etapas do adoecimento.

O serviço é desenvolvido em hospitais universitários federais da rede HU Brasil, vinculada ao Ministério da Educação. A assistência considera não apenas a dor física, mas também questões emocionais, sociais e espirituais que podem afetar o paciente.

Um exemplo desse trabalho é o de Antônio Hildemir Santos, de 58 anos, que está em tratamento paliativo para um câncer gástrico metastático no Hospital Universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará. Internado há cerca de um mês, ele pediu à equipe que pudesse receber as duas filhas, de 8 e 16 anos, no jardim da instituição.

O encontro ocorreu em 2 de outubro. Para Antônio, a oportunidade de passar um tempo ao ar livre com as meninas fez diferença durante a internação. “Um ambiente desse muda tudo. A gente esquece a tristeza um pouco lá dentro porque aqui tem mais vida”, relatou.

Segundo o médico paliativista Tiago Maas, chefe da Divisão Médica do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas, os cuidados paliativos têm como objetivo aliviar o sofrimento e promover qualidade de vida em qualquer fase da doença, inclusive quando há possibilidade de cura.

O atendimento também é importante quando os tratamentos destinados à cura deixam de ser possíveis. Nesses casos, a equipe continua trabalhando para controlar sintomas, oferecer conforto e amparar o paciente e sua família.

A abordagem considera o conceito de “dor total”, que engloba diferentes formas de sofrimento. Além dos sintomas físicos, o paciente pode enfrentar medo, ansiedade, insegurança, perda de renda, mudanças na rotina familiar e questionamentos sobre o sentido da vida.

Por isso, o atendimento envolve profissionais de diferentes áreas, que avaliam as necessidades de cada pessoa e definem estratégias de cuidado. O suporte pode incluir controle da dor, acompanhamento psicológico, assistência social e apoio espiritual, conforme as necessidades e preferências do paciente.

Atendimento também contempla crianças e familiares

Os cuidados paliativos também são oferecidos a bebês, crianças e adolescentes. Nesse público, a assistência precisa considerar o desenvolvimento e a capacidade de compreensão de cada paciente, além de respeitar sua participação nas decisões sobre o tratamento sempre que possível.

A médica paliativista Vanise Motta, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, destaca que o cuidado pode incluir iniciativas para tornar a hospitalização menos difícil, como passeios, momentos de lazer e comemorações de datas importantes. Em alguns casos, a equipe também trabalha para possibilitar que crianças com necessidades complexas continuem o tratamento em casa.

No Hospital Universitário João de Barros Barreto, da Universidade Federal do Pará, o acompanhamento varia conforme as condições de saúde e o grau de autonomia do paciente. Pessoas que conseguem realizar atividades cotidianas podem ser atendidas em ambulatório multidisciplinar. Pacientes mais debilitados podem receber assistência em casa ou por teleconsulta, enquanto aqueles que permanecem internados são acompanhados à beira do leito.

A unidade também oferece suporte psicológico a familiares e pessoas enlutadas, além de iniciativas como o empréstimo de cadeiras de rodas e de banho para pacientes em tratamento domiciliar.

O acolhimento emocional é parte importante desse trabalho. Segundo a psicóloga Jessica Mazocato, do Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos, o adoecimento pode provocar tristeza, irritabilidade, isolamento, medo e dificuldade para conversar sobre a situação.

A escuta ajuda a compreender essas reações e permite que pacientes participem das decisões sobre o próprio cuidado. Familiares e cuidadores também podem receber apoio para lidar com a angústia, a insegurança e o luto antecipatório — sofrimento que pode surgir diante da possibilidade de perda de alguém querido.

A rede HU Brasil administra 45 hospitais universitários federais. Além de atender pacientes do SUS, essas unidades desenvolvem atividades de ensino, pesquisa e inovação na área da saúde.

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