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OMS lança primeiro guia para combater obesidade entre crianças e adolescentes

Documento recomenda alimentação saudável, atividade física e mudanças de comportamento; medicamentos e cirurgia não são indicados para crianças de até 9 anos

07/10/2026 às 09h44
Por: Cristiane Cirilo
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta quarta-feira (7) o primeiro guia global com recomendações para prevenção e tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. Segundo a entidade, a prevalência da doença nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%.

Em 2024, cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos viviam com obesidade no mundo. Desse total, aproximadamente 70 milhões tinham entre 5 e 9 anos e 100 milhões estavam na faixa de 10 a 19 anos.

A OMS considera a obesidade uma doença crônica e recorrente, que pode provocar consequências para a saúde ainda durante a infância e aumentar o risco de problemas como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Além dos impactos físicos, a entidade chama atenção para os efeitos sociais e emocionais. Crianças e adolescentes com obesidade podem enfrentar estigma, discriminação e bullying, situações que também podem afetar a saúde mental, a vida escolar e a qualidade de vida.

O que a OMS recomenda

Para crianças e adolescentes com obesidade, a principal orientação é a adoção de intervenções estruturadas que combinem alimentação adequada, atividade física e mudanças de comportamento.

Essas medidas podem ser aplicadas individualmente ou dentro de programas que reúnam diferentes profissionais e estratégias de cuidado.

A OMS também recomenda, de forma condicional, o uso de intervenções de saúde digital, desde que haja supervisão de pais ou responsáveis.

Para crianças de até 9 anos, a entidade não recomenda medicamentos para perda de peso, cirurgia bariátrica ou dispositivos destinados ao emagrecimento.

A orientação muda para adolescentes de 10 a 19 anos. Nessa faixa etária, medicamentos aprovados para tratamento da obesidade, incluindo os chamados medicamentos injetáveis para perda de peso, podem ser considerados quando um programa supervisionado de mudança de estilo de vida não tiver produzido os resultados esperados.

A cirurgia bariátrica também pode ser considerada para adolescentes com obesidade grave, mas somente em situações específicas e sob condições rigorosas.

Saúde mental também deve ser considerada

O novo guia destaca ainda a necessidade de olhar para a saúde mental durante o acompanhamento de crianças e adolescentes com obesidade.

Segundo a OMS, condições como ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades de regulação emocional podem estar associadas a comportamentos como alimentação inadequada, sedentarismo e isolamento social.

Por isso, a recomendação é que profissionais de saúde identifiquem e tratem precocemente tanto a obesidade quanto eventuais problemas relacionados à saúde mental.

O acompanhamento deve levar em conta a idade e o estágio de desenvolvimento da criança ou do adolescente, além de envolver a família.

Prevenção depende de políticas públicas

Para a OMS, o tratamento individual não é suficiente para conter o avanço global da obesidade infantil.

A organização defende políticas que facilitem o acesso a alimentos saudáveis e à prática de atividade física, além de medidas relacionadas à educação, planejamento urbano, transporte e proteção social.

A proposta é criar ambientes que favoreçam escolhas mais saudáveis e reduzam as barreiras enfrentadas por crianças, adolescentes e suas famílias.

O guia representa, segundo a OMS, uma referência internacional para orientar governos e profissionais de saúde na prevenção e no cuidado da obesidade durante a infância e a adolescência.

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