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Junynho Martins: uma trajetória construída na vida pública

Com uma trajetória construída em diferentes funções da vida pública, Junynho Martins conhece a administração municipal a partir de diferentes perspectivas. Foi vereador, comandou a Prefeitura de Ribeirão das Neves por oito anos e posteriormente atuou como secretário executivo da Casa Civil de Minas Gerais.

16/07/2026 às 10h23
Por: Por Redação
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Acervo pessoal
Acervo pessoal

Em um momento de novas discussões sobre o futuro das cidades mineiras e a relação dos municípios com as demais esferas de governo, Junynho fala sobre sua trajetória, as experiências acumuladas ao longo dos anos e os temas que considera importantes para a administração pública.

Depois de oito anos como prefeito de Ribeirão das Neves e também da experiência na Casa Civil, por que o senhor decidiu disputar uma vaga na Câmara dos Deputados? Como prefeito, a gente conseguiu fazer muito mais com menos, sempre com responsabilidade com o recurso público. E uma parte importante do que conseguimos realizar em Ribeirão das Neves veio da busca por recursos em Brasília. Foi quando percebi o quanto das decisões e dos recursos que podem transformar os municípios passam por lá. Depois da minha experiência como prefeito, tive a oportunidade de estar no Governo do Estado, como secretário executivo da Casa Civil, o que ampliou ainda mais esse olhar. Pude conhecer outras cidades de Minas Gerais e perceber a necessidade que os municípios têm de contar com uma representação forte em Brasília. Quero ser um deputado federal municipalista. Já fui vereador, prefeito e secretário de Estado e conheço de perto a realidade dos municípios e a dor das pessoas. Gosto de gente, gosto de servir e tenho certeza de que, em Brasília, vou conseguir canalizar recursos para melhorar a qualidade de vida da população, principalmente na educação, na saúde e na geração de emprego e renda. Costumam dizer que fiz Neves avançar 80 anos em 8. Ouvir isso é muito gratificante, porque é o reconhecimento de um trabalho que transformou a cidade e melhorou a vida das pessoas. E é essa experiência que quero levar para fazer ainda mais.  

O senhor falou sobre municipalismo. Como pretende, na prática, trazer recursos de Brasília para as cidades? O deputado federal tem as emendas parlamentares, além das emendas de bancada e outros instrumentos que permitem destinar recursos de acordo com as necessidades de cada região. Uma cidade pode precisar de mais recursos para a saúde, outra de investimentos em mobilidade e asfalto, outra pode precisar ampliar o número de escolas. O nosso trabalho será estar presente nos municípios, entender a realidade de cada região e, a partir disso, construir os projetos junto com os prefeitos. Também não adianta simplesmente mandar o recurso se a prefeitura não tiver uma equipe técnica capacitada para elaborar os projetos e executar aquele investimento. Queremos fazer esse elo. A ideia é contar com gabinetes itinerantes para captar essas necessidades, levá-las ao nosso gabinete em Brasília e trabalhar para transformar essas demandas em recursos e ações concretas.

Então as prioridades do seu mandato serão definidas também de acordo com as especificidades de cada município? Isso. Cada região possui uma necessidade. Como professor de carreira, acredito muito na educação como instrumento de transformação. A saúde também é fundamental, porque estamos falando do básico que todo ser humano precisa ter. Uma pessoa debilitada não consegue estudar, trabalhar ou cuidar da própria vida. Por isso, educação, saúde e geração de emprego e renda estarão entre os nossos principais focos. Mas existem regiões que precisam de mais mobilidade, asfalto, cultura ou esporte. Não adianta destinar recursos para ampliar escolas em um município que já consegue atender toda a demanda por vagas, por exemplo. É preciso entender a realidade daquele lugar, ouvir as pessoas e construir soluções junto com elas.

Sua gestão em Ribeirão das Neves foi marcada por investimentos em infraestrutura, como a pavimentação de mais de 700 ruas, a Avenida Eduardo Brandão e o primeiro viaduto da cidade. Qual dessas obras ou ações considera mais importante? Todas foram importantes, mas a Avenida Eduardo Brandão tem um significado muito grande. Era uma avenida que estava há cerca de 20 anos no papel e conseguimos fazer logo no início do nosso governo, em 2018. Além de ligar a cidade à BR-040 e facilitar o acesso para quem está no entorno, inclusive em direção a Contagem, ela melhorou muito a mobilidade e abriu novas possibilidades para aquela região. Depois, entregamos também o primeiro viaduto da cidade, uma obra de mais de R$ 20 milhões realizada com recurso próprio. Toda aquela área passa a ter potencial para se transformar em um novo polo industrial, inclusive com empresas multinacionais já chegando, como a Amazon e a Shopee. Sempre defendemos que Neves precisa ser cada vez mais autossustentável. A chegada de empresas significa mais arrecadação para a Prefeitura investir na cidade e, principalmente, mais empregos para que as pessoas que moram em Neves também possam trabalhar e construir a vida aqui.

A regularização fundiária também foi uma marca da sua gestão, com milhares de famílias recebendo o título de propriedade. Como pretende levar essa experiência para outros municípios? Essa foi outra entrega muito importante. A casa própria é um sonho do brasileiro, mas não basta ter a casa, é importante ter o documento, o título de propriedade. Isso dá segurança para a família, valoriza o imóvel e abre novas possibilidades. Queremos mostrar aos prefeitos, a partir de 2027, a importância da regularização fundiária. Muitos sabem que existe essa necessidade em seus municípios, mas às vezes não possuem estrutura ou equipe técnica para desenvolver os projetos. Nós tivemos essa experiência e sabemos como fazer. Podemos ajudar indicando caminhos, apoiando tecnicamente e destinando emendas para que as prefeituras possam desenvolver seus programas de regularização fundiária. Acredito que essa seja uma demanda presente na grande maioria dos municípios mineiros.

Seu sucessor foi eleito com mais de 81% dos votos válidos. Como o senhor enxerga esse processo de continuidade e de que maneira essa experiência pode contribuir também com outras cidades? O Túlio fazia parte do nosso governo desde o primeiro ano do meu mandato. É uma pessoa técnica, capacitada e que gosta de gente. Eu acredito que uma boa continuidade precisa ser feita por pessoas preparadas e até melhores do que a gente. Sempre digo que acredito que o governo do Túlio pode ser melhor que o nosso. Ele participou da gestão, conhece as demandas, ajudou a construir muitas das soluções e recebeu um time que já estava trabalhando. Além disso, agora conta com um deputado estadual e, se Deus quiser, terá também um deputado federal para ajudar Ribeirão das Neves. Se eu pudesse deixar uma dica para os prefeitos, seria justamente preparar e capacitar novas lideranças. O primeiro requisito é gostar de gente. Quatro anos passam muito rápido e, mesmo em oito anos, é difícil resolver todas as demandas de uma cidade. Por isso, a continuidade de um bom trabalho é fundamental para que o município continue avançando. Quando um novo governo interrompe projetos simplesmente para começar tudo novamente ou por questões políticas, quem perde é a população. Nosso papel como políticos e servidores públicos é trabalhar principalmente para quem mais precisa da educação pública, da saúde pública e dos serviços do município. Uma boa continuidade permite avançar até que os problemas sejam efetivamente resolvidos, seja zerando uma fila de cirurgia, ampliando o atendimento de saúde ou garantindo vagas nas creches. É assim que a cidade consegue avançar sem quebrar ciclos importantes! 

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