
A Polícia Federal apontou que o ex-chefe do Departamento de Supervisão do Banco Central, Belline Santana, recebeu pagamentos recorrentes de R$ 500 mil do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação sustenta que os valores teriam sido pagos em troca do repasse de informações sigilosas relacionadas às apurações envolvendo o antigo Banco Master.
De acordo com o documento, ao menos um dos pagamentos teria chegado a R$ 760 mil. As informações foram reveladas após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirar o sigilo do relatório na noite desta quinta-feira (10).
Vorcaro era dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Ele é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras de grandes proporções.
Além dos pagamentos, a PF afirma que Santana teria recebido outras vantagens custeadas por Vorcaro, entre elas despesas com almoço, jantar e uma viagem a Paris.
O relatório também aponta benefícios supostamente concedidos a Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupava o cargo de gerente adjunto do Departamento de Supervisão do Banco Central.
Segundo a investigação, Souza teria recebido uma viagem para a Disney, nos Estados Unidos, além de ter participado de uma negociação considerada atípica envolvendo a aquisição de um imóvel rural.
Os dois servidores foram afastados de suas funções e são investigados por supostamente terem repassado informações internas do Banco Central a Vorcaro.
O relatório, de 164 páginas, reúne mensagens que, segundo a PF, foram trocadas entre Vorcaro e os dois servidores.
Em uma delas, Paulo Sérgio Souza teria enviado ao ex-banqueiro uma portaria referente à sua nomeação para o Departamento de Supervisão. Em outra mensagem, o servidor teria classificado como “prioridade absoluta” um encontro com Vorcaro para tratar de interesses relacionados ao Banco Master.
A PF afirma ainda que Santana e Souza atuavam como consultores do empresário, participando de reuniões privadas e de discussões sobre estratégias e documentos. Segundo a investigação, alguns desses encontros ocorreram na residência de Vorcaro.
A relação entre os servidores do Banco Central e o ex-banqueiro já havia sido identificada durante as investigações que levaram à prisão preventiva de Vorcaro. A retirada do sigilo do relatório, porém, trouxe novos detalhes sobre os pagamentos e benefícios que teriam sido concedidos aos servidores.
Belline Santana e Paulo Sérgio Souza negam ter vazado informações internas do Banco Central para Daniel Vorcaro.
Os dois também contestam as acusações relacionadas às vantagens recebidas e afirmam que podem comprovar que despesas com viagens e outros benefícios foram pagas com recursos próprios.
As acusações ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, uma condenação dos envolvidos.
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