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“Polifonia da Presença” transforma cinema documental em experiência sensorial inédita

Com entrada gratuita no Centro Cultural UFMG, mostra de Leonardo Barcelos transpõe trilogia cinematográfica para o espaço expositivo e reúne nomes fundamentais da performance contemporânea, como Marina Abramović e Ailton Krenak

02/09/2026 às 17h32
Por: João Vitor Viana
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Divulgação
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De 18 de setembro a 25 de outubro de 2026, o Centro Cultural UFMG recebe a exposição imersiva “Polifonia da Presença”, concebida pelo diretor, roteirista e produtor Leonardo Barcelos. Com entrada gratuita, o projeto ocupa as galerias do espaço e propõe uma nova forma de vivenciar o cinema documental, transformando imagens, sons e atmosferas em um convite para o público entrar literalmente nas obras. A mostra marca também a pré-estreia mundial da série documental “Cartografias do Corpo”, criada por Barcelos, que reúne grandes nomes da arte e do pensamento contemporâneo.

Resultado de mais de dez anos de pesquisa audiovisual sobre o corpo contemporâneo, a iniciativa transpõe integralmente os longas “Corpo Presente” e “O Que Pode o Corpo?” e a nova série para a linguagem expositiva. O objetivo central é fazer com que as imagens e os sons ocupem fisicamente o ambiente, criando condições para que o público experimente as questões propostas por meio da luz, da fumaça, dos reflexos e dos diferentes materiais presentes nas instalações.

A exposição é organizada como um percurso contínuo por quatro núcleos interligados que conduzem o visitante por diferentes intensidades sensoriais. O primeiro núcleo, chamado “A Origem”, funciona como um portal visual com projeções, raízes e um espelho d’água, abordando a ancestralidade, a transformação e os ciclos da matéria. Na sequência, o núcleo “A Matéria” aproxima o corpo das ideias de gestação e cuidado por meio de módulos de tecido e de uma cúpula de vidro com areia branca.

O terceiro núcleo, “O Outro”, propõe uma experiência de encontro e alteridade através de um percurso labiríntico com espelhos e superfícies reflexivas que misturam o corpo do visitante às imagens de outras pessoas. Por fim, o núcleo “A Voz” apresenta telas com trechos da série inédita, reunindo depoimentos de artistas, ativistas e pensadores de várias gerações para debater gênero, raça, território e resistência em um campo de escuta coletiva.

Entre os grandes nomes que integram os núcleos e a série documental estão artistas de projeção internacional como Marina Abramović, Zé Celso Martinez Corrêa, Ailton Krenak, ORLAN, Suely Rolnik e Érica Hilton. Suas falas e performances cruzam-se e reverberam umas nas outras, gerando a polifonia que dá nome à mostra e criando uma reflexão profunda sobre os conflitos, as marcas e a capacidade de reinvenção dos corpos marginalizados na sociedade atual.

Além das instalações nas salas da Grande Galeria, a programação conta com uma rica agenda formativa que inclui exibições dos filmes que estruturam a pesquisa e debates abertos ao público. No dia 24 de setembro, o público poderá conferir a projeção de “O Que Pode o Corpo?”, seguida de conversa com o diretor, enquanto o filme “Corpo Presente” será exibido no dia 1º de outubro com a presença de Leonardo Barcelos e da artista Ludmilla Ramalho.

A pré-estreia oficial da série “Cartografias do Corpo” acontece no dia 8 de outubro no auditório do centro cultural, seguida pelo debate “O Corpo como Arquivo, Território e Fronteira”, com mediação de Eduardo de Jesus e convidados. As exibições de episódios da série continuam no dia 14 de outubro, ampliando o contato do público com a profunda investigação documental que fundamenta todo o projeto artístico.

O encerramento oficial da programação ocorre no dia 23 de outubro com a performance de Ludmilla Ramalho, que investiga a maternidade como experiência de exaustão, vínculo e interdependência ao lado da filha. Realizado com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte, o projeto consolida-se como um marco para o audiovisual e as artes visuais da capital mineira.

A exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 12h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h, na Grande Galeria do Centro Cultural UFMG. A entrada é totalmente gratuita, oferecendo à comunidade uma oportunidade singular de imersão artística e reflexão crítica sobre a corporeidade na contemporaneidade.

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