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Trincas em área da antiga B3/B4, em Macacos, são alvo de apuração

O caso passou a ser acompanhado por órgãos públicos após questionamentos sobre as condições do local

02/09/2026 às 14h49
Por: João Vitor Viana
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Redes Sociais
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Trincas identificadas em uma estrutura remanescente da antiga barragem B3/B4, na Mina Mar Azul, em São Sebastião das Águas Claras, distrito de Macacos, em Nova Lima, voltaram a chamar a atenção de moradores e autoridades. Imagens divulgadas nos últimos dias mostram fissuras em uma estrutura localizada na área e uma movimentação pontual de terra no terreno. O caso passou a ser acompanhado por órgãos públicos após questionamentos sobre as condições do local. Clique aqui e veja o vídeo!

A Vale afirma que a estrutura mostrada nas imagens não corresponde atualmente a uma barragem de rejeitos e que a movimentação observada ocorre em terreno natural. Segundo a mineradora, a B3/B4 foi totalmente descaracterizada em maio de 2024, com a remoção integral do barramento e dos rejeitos do reservatório. A empresa informa que aproximadamente 3,3 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram retirados durante o processo.

A informação é confirmada pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Nos relatórios oficiais de acompanhamento da descaracterização, a B3/B4 aparece entre as estruturas com o processo concluído e com o descadastramento do Sistema Integrado de Gestão de Segurança de Barragens de Mineração (SIGBM) em 17 de julho de 2024. Isso significa que a estrutura deixou de ser considerada, para fins do cadastro da agência, uma barragem de mineração em operação.

A situação atual, portanto, é diferente daquela vivenciada em 2019, quando a B3/B4 chegou ao nível 3 de emergência. Naquele período, a ANM informou que a barragem, construída pelo método de alteamento a montante, não havia obtido a declaração de estabilidade necessária e que a elevação do nível de emergência provocou a evacuação da população inserida na Zona de Autossalvamento.

De acordo com a Vale, as intervenções atualmente realizadas na área não estão relacionadas à construção de uma nova barragem ou de uma pilha de rejeitos. A companhia afirma que executa obras de recuperação e estabilização de um talude em terreno natural, com medidas voltadas principalmente ao reforço da drenagem e à prevenção de problemas durante o período chuvoso.

A mineradora também contesta a informação de que estaria sendo construído um “muro de pedra” no local. Segundo a empresa, não existe projeto com essa finalidade. As intervenções, conforme a explicação apresentada, estão relacionadas à estabilização de uma área de terreno natural que teria sido afetada pelas chuvas excepcionais registradas em janeiro de 2026.

A Vale afirma ainda que a área permanece sob monitoramento e que, até o momento, não foi identificado impacto para as comunidades próximas ou para cursos d’água em razão das condições observadas ou das obras. A empresa também diz que mantém diálogo com moradores e instituições locais e que as intervenções já vinham sendo comunicadas à comunidade.

O histórico da região ajuda a explicar a preocupação dos moradores. Em 2019, após o acionamento do nível 2 e posteriormente do nível 3 de emergência da B3/B4, famílias de Macacos foram retiradas de suas casas. O Ministério Público de Minas Gerais posteriormente firmou, juntamente com outros órgãos públicos, um acordo com a Vale que prevê medidas de reparação e compensação pelos impactos provocados pela situação de emergência. O acordo, assinado em 2022, foi estimado em R$ 500 milhões.

Além da antiga B3/B4, a Mina Mar Azul possui outras estruturas que permanecem no histórico de acompanhamento dos órgãos públicos. Documento do Ministério Público de Minas Gerais lista, por exemplo, as estruturas B6, B7 e Taquaras na unidade. A existência de outras estruturas na região, contudo, não significa que as trincas mostradas nas imagens estejam relacionadas a alguma delas.

A Prefeitura de Nova Lima informou que encaminhou ofícios à Agência Nacional de Mineração e à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG), solicitando atuação e apoio conjunto diante das informações recebidas. A iniciativa busca obter avaliação dos órgãos responsáveis e esclarecer tecnicamente as condições observadas na área.

A apuração ocorre em um contexto no qual a antiga B3/B4 já não integra o cadastro de barragens de mineração da ANM. A própria agência mantém a estrutura na relação oficial de barragens a montante cuja descaracterização foi concluída, enquanto a Vale disponibiliza em seu portal documentos e relatórios relacionados ao processo de descaracterização.

Apesar disso, a identificação de trincas e de movimentação de solo exige avaliação específica da área atualmente existente. Até o momento, as informações oficiais disponíveis não indicam que tenha sido restabelecida uma situação de emergência da antiga B3/B4. O ponto central da apuração é determinar a origem das fissuras, as condições de estabilidade do terreno natural e se as intervenções realizadas pela Vale são suficientes para garantir a segurança do local.

A diferença entre barragem descaracterizada e estrutura ou talude remanescente é fundamental para compreender o caso. A ANM confirma que a B3/B4 deixou de ser cadastrada como barragem em julho de 2024, enquanto a Vale sustenta que as obras atuais se concentram em terreno natural e têm caráter preventivo. A avaliação dos órgãos públicos deverá esclarecer tecnicamente as condições encontradas no local e eventuais medidas adicionais necessárias.

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