
Em recuperação judicial e com uma dívida de R$ 17,3 bilhões, o grupo Casas Bahia iniciou uma redução das operações em todo o país. Em Belo Horizonte, pelo menos cinco lojas foram fechadas ou estão em processo de encerramento, segundo informações do Sindicato dos Comerciários da capital mineira.
A movimentação ocorre poucos dias após a empresa oficializar o pedido de recuperação judicial. De acordo com o sindicato, houve demissões e remanejamento de funcionários nas unidades afetadas. A entidade ainda apura o número exato de trabalhadores desligados na capital.
Entre os estabelecimentos fechados está uma unidade do Ponto Frio, também pertencente ao grupo Casas Bahia, no Minas Shopping. O encerramento ocorreu na sexta-feira (14). Na mesma data, também foram fechadas unidades da Casas Bahia e do Ponto Frio no Shopping Del Rey.
Segundo o Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte, outras duas unidades também estariam em processo de fechamento. A entidade afirma que está levantando informações sobre os impactos das medidas e sobre o número de trabalhadores atingidos.
O presidente do sindicato, João Periard, afirmou que a situação preocupa a categoria, principalmente pelas características dos empregos oferecidos pela empresa. “Ficamos preocupados, porque a Casas Bahia tem empregos mais qualificados e com uma remuneração melhor”, declarou.
Em São Paulo, o Sindicato dos Comerciários informou que cerca de 1.900 trabalhadores foram dispensados em apenas dois dias no fim da última semana. A entidade afirma que não foi comunicada previamente sobre as demissões e convocou uma reunião com representantes da empresa para discutir os impactos da reestruturação.
Em comunicado aos investidores sobre os resultados do segundo trimestre, a Casas Bahia informou o fechamento de 298 unidades em todo o país. O CEO da companhia, Renato Franklin, afirmou que a estratégia será operar uma empresa menor e mais seletiva, priorizando atividades com maior capacidade de gerar retorno e caixa, além de adequar custos, investimentos e estoques ao novo cenário.
A empresa atribui parte das dificuldades ao cenário macroeconômico, especialmente às taxas de juros elevadas. Com a Selic em 14% ao ano, o custo da dívida aumenta e o crédito para os consumidores fica mais caro. Para especialistas, o atual desafio do varejo de bens duráveis envolve não apenas a capacidade de vender, mas também o perfil das dívidas das empresas e o acesso a crédito e garantias.
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