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Pesquisadores encontram plantas consideradas extintas há 30 anos, em Minas Gerais

Pesquisadores encontraram espécies raras de sempre-vivas em áreas protegidas de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto

17/08/2026 às 10h00
Por: Cristiane Cirilo
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© Matheus Zaza/Video Delivery
© Matheus Zaza/Video Delivery

Pesquisadores brasileiros redescobriram no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, espécies de plantas raras que eram consideradas extintas na natureza havia décadas. Os exemplares foram encontrados em áreas protegidas entre os municípios de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto.

As descobertas fazem parte do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, desenvolvido por universidades, instituições de pesquisa e pela Vale dentro da Rede Propagar.

Segundo os pesquisadores, algumas das espécies procuradas não eram registradas na natureza havia mais de 30 anos. Outras estavam há mais de um século sem serem observadas e eram consideradas potencialmente extintas.

Entre os exemplares encontrados estão as espécies Paepalanthus magalhaesii e Coracoralina amoena, conhecidas popularmente como sempre-vivas ou chuveirinhos. As plantas são endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, ou seja, não ocorrem naturalmente em outras regiões do mundo.

A Paepalanthus magalhaesii tem aparência semelhante à de pequenos pompons espalhados entre as rochas. A espécie cresce próxima ao solo e foi localizada nas áreas protegidas de Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca.

Já a Coracoralina amoena está entre as espécies mais raras encontradas pelos pesquisadores. A planta sobrevive em ambientes formados por rochas, onde o solo é fino, a exposição ao sol é intensa e a disponibilidade de água é baixa durante boa parte do ano.

A espécie chegou a ser apontada em estudos científicos como possivelmente desaparecida da natureza.

Segundo os pesquisadores, as plantas encontradas apresentam características que permitem sua sobrevivência em condições de estresse hídrico e térmico, nas quais outras espécies teriam dificuldade para se desenvolver.

Após a coleta em campo, amostras das plantas foram encaminhadas para laboratórios integrantes da Rede Propagar. O material será submetido a análises, incluindo sequenciamento genético, e utilizado em estudos para desenvolver métodos de reprodução das espécies.

Parte dos exemplares também será destinada a coleções de referência, que poderão servir de base para futuras pesquisas sobre as características e a distribuição das plantas.

A intenção dos pesquisadores é desenvolver técnicas para produzir mudas e, posteriormente, reintroduzir as espécies em seus ambientes naturais.

A estratégia pode contribuir para ampliar a distribuição das plantas e reduzir os riscos de desaparecimento, além de auxiliar na recuperação dos ecossistemas onde elas ocorrem.

O Quadrilátero Ferrífero é uma região de grande importância para a biodiversidade brasileira. A vegetação local está associada principalmente aos campos rupestres e aos solos ricos em minério de ferro, característicos das serras mineiras.

De acordo com os pesquisadores, mais de 30% das espécies encontradas na região são endêmicas.

A redescoberta das plantas também reforça a necessidade de ampliar os estudos sobre a biodiversidade. Para os especialistas envolvidos no projeto, ainda existem espécies pouco conhecidas ou que podem ter deixado de ser registradas durante longos períodos.

Além da perda de habitat provocada por atividades humanas, os pesquisadores apontam as mudanças climáticas como uma ameaça adicional aos ecossistemas da região.

A expectativa é que novas expedições permitam encontrar outras espécies raras e ampliar o conhecimento científico sobre a flora do Quadrilátero Ferrífero.

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