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Dono da Voepass admite à PF que sabia de falhas não registradas em aviões

A omissão de falhas nos registros de manutenção é apontada pela PF como um dos fatores que contribuíram para a cadeia de acontecimentos que antecedeu o acidente

08/08/2026 às 11h33
Por: João Vitor Viana
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Divulgação
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O presidente e proprietário da Voepass, José Luiz Felício Filho, admitiu à Polícia Federal que tinha conhecimento de uma prática de omissão no registro de falhas técnicas das aeronaves da companhia. A declaração foi dada durante depoimento prestado no dia 4 de agosto e integra a investigação sobre a queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024.

Segundo o relatório da Polícia Federal, Felício Filho havia sido alertado pessoalmente, ao longo dos anos, por diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre a conduta de pilotos que deixavam de registrar problemas nos livros de bordo. A prática teria como objetivo evitar que as aeronaves fossem retiradas de operação para manutenção.

Para os investigadores, o depoimento do empresário enfraquece a possibilidade de que a direção da companhia desconhecesse os problemas relacionados à segurança operacional. A omissão de falhas nos registros de manutenção é apontada pela PF como um dos fatores que contribuíram para a cadeia de acontecimentos que antecedeu o acidente.

Durante o depoimento, Felício Filho também reconheceu que houve um erro grave no dia da tragédia. Segundo ele, a aeronave envolvida no acidente não deveria estar nas condições em que se encontrava e, diante daquele cenário, também não deveria ter sido autorizada a realizar a rota.

A Polícia Federal indiciou o presidente da Voepass e outras 15 pessoas, entre integrantes das áreas de operações, manutenção e segurança, além de mecânicos e despachantes operacionais. O grupo é investigado por atentado contra a segurança do transporte aéreo, com agravante relacionado à morte das 62 pessoas.

O voo 2283 fazia o trajeto entre Cascavel, no Paraná, e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando caiu em Vinhedo, em 9 de agosto de 2024. Todos os 58 passageiros e quatro tripulantes morreram. As investigações apontaram uma combinação de problemas técnicos, falhas de manutenção e questões operacionais relacionadas às condições de voo.

Agora, cabe ao Ministério Público avaliar as conclusões da Polícia Federal e decidir se apresentará denúncia contra os investigados. O indiciamento, por si só, não significa condenação e as responsabilidades criminais ainda deverão ser analisadas pela Justiça.

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