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Brasil realiza primeiro clone de porco da América Latina para pesquisa de transplante de órgãos

O animal nasceu em 24 de março deste ano como resultado das pesquisas do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CDC) XenoBR, projeto sediado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP)

18/07/2026 às 10h36
Por: João Vitor Viana
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Docme Comunicação para Genoma USP / Divulgação
Docme Comunicação para Genoma USP / Divulgação

Trinta anos após o nascimento da ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta, a tecnologia de clonagem avança para uma nova fronteira da medicina. No Brasil, pesquisadores desenvolveram o primeiro porco clonado da América Latina com foco em estudos para o xenotransplante, técnica que busca utilizar órgãos e tecidos de animais geneticamente modificados em transplantes para seres humanos.

O animal nasceu em 24 de março deste ano como resultado das pesquisas do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CDC) XenoBR, projeto sediado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). A iniciativa reúne pesquisadores da USP, Faculdade de Medicina, Hospital das Clínicas e Instituto do Coração (InCor), além de outras instituições parceiras.

A clonagem da ovelha Dolly, em 1996, foi considerada um marco científico por demonstrar a possibilidade de criar um organismo a partir do material genético de uma célula adulta. Desde então, a área evoluiu com o desenvolvimento de novas tecnologias, como as células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs) e a edição genética por meio da ferramenta Crispr, ampliando as possibilidades de aplicação na saúde.

O projeto brasileiro busca desenvolver animais capazes de fornecer órgãos mais compatíveis com o organismo humano, reduzindo as dificuldades enfrentadas atualmente nos transplantes, como a falta de doadores e a rejeição dos órgãos transplantados. A expectativa dos pesquisadores é que os primeiros testes clínicos no país possam ocorrer por volta de 2030, dependendo dos resultados das próximas etapas e das autorizações regulatórias.

A pesquisa é coordenada pelo imunologista Jorge Kalil, da Faculdade de Medicina da USP, e conta com a participação de especialistas como Paulo Manuel Pêgo Fernandes, Rolf Gemperli, Fábio Jatene e Luiz Fernando Canêo. O grupo também tem colaboração do pesquisador Rubens Belfort Jr., da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O avanço coloca o Brasil entre os países que investem no desenvolvimento do xenotransplante, uma área considerada estratégica para o futuro da medicina. Embora ainda esteja em fase experimental, a tecnologia representa uma possibilidade para ampliar o acesso a transplantes e oferecer novas alternativas para pacientes que aguardam por um órgão compatível.

O Corpo de Bombeiros informou que, nos demais pontos onde ocorreram as colisões durante a fuga, não foram registradas vítimas. A ocorrência será investigada para apurar as circunstâncias do acidente inicial, a fuga do motorista e a ação policial que encerrou a perseguição.

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