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Oposição questiona uso de recursos da venda da Copasa pelo governo estadual, acusado de crime de responsabilidade

Deputados alegam que decreto autorizou abertura de crédito com recursos da privatização da companhia sem aval da Assembleia Legislativa; governo ainda não se manifestou

14/07/2026 às 17h28 Atualizada em 14/07/2026 às 17h31
Por: João Vitor Viana
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Guilherme Bergamini/ALMG
Guilherme Bergamini/ALMG

A oposição ao governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), acionou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e apresentou críticas contra um decreto do Executivo estadual que, segundo os parlamentares, permitiria o uso de recursos arrecadados com a privatização da Copasa sem autorização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O questionamento envolve o Decreto com Numeração Especial nº 694, publicado em 29 de junho de 2026, que autorizou a abertura de um crédito suplementar de aproximadamente R$ 1,9 bilhão. Para deputados oposicionistas, parte desses recursos teria origem na venda das ações da companhia de saneamento e a medida desrespeitaria alterações recentes na legislação estadual.

A privatização da Copasa foi concluída em 16 de junho de 2026 e, segundo informações divulgadas pelo governo, resultou em uma arrecadação de pelo menos R$ 8,3 bilhões aos cofres públicos. A oposição afirma que o decreto seria uma tentativa de liberar cerca de R$ 900 milhões desse montante para ações relacionadas à gestão da dívida estadual sem que o tema fosse submetido à análise dos deputados.

O líder da oposição na ALMG, deputado Ulysses Gomes (PT), afirmou que o governo deveria encaminhar um projeto de lei para discutir a destinação dos recursos. Segundo ele, mudanças recentes na legislação estadual determinam que valores provenientes de receitas extraordinárias acima de 1% do orçamento precisam passar pelo Legislativo.

“É uma discussão sobre respeito à lei. Um patrimônio público que, segundo o próprio governo, rendeu mais de R$ 8,3 bilhões aos cofres públicos não pode ter seu destino decidido sem o debate desta Casa”, afirmou o parlamentar.

Ulysses também declarou que havia recebido a informação de que o governo enviaria uma proposta para análise da Assembleia. Segundo ele, a secretária de Estado de Fazenda, Luciana Mundim, teria informado anteriormente que a destinação dos recursos seria discutida por meio de um projeto de lei.

Após a publicação do decreto, a oposição protocolou um projeto de resolução para tentar suspender seus efeitos e informou que encaminhou uma representação ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais para que a Corte avalie a legalidade da medida e possíveis responsabilidades administrativas.

Até o momento, o governo de Minas Gerais não havia divulgado posicionamento oficial sobre as críticas apresentadas pelos deputados da oposição.

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