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Menino de 9 anos sofreu grave acidente de rope jump com mesma equipe três meses antes de morte em salto clandestino em SP

Criança caiu após falha no sistema de freio durante salto de rope jump; grupo continuou realizando a atividade até a morte de uma jovem de 21 anos

06/07/2026 às 10h31
Por: Cristiane Cirilo
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Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo

Um menino de 9 anos sofreu um grave acidente durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, três meses antes da morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. O caso voltou à tona após a divulgação de imagens que mostram a criança atingindo o chão durante a atividade, realizada pela mesma equipe responsável pelo salto que terminou em tragédia em junho deste ano.

O acidente com o garoto aconteceu em março e foi provocado por uma falha no sistema de debreagem, mecanismo responsável por controlar a desaceleração da corda durante o salto. Com o defeito, a criança caiu durante o movimento pendular e sofreu ferimentos nos joelhos.

Segundo relatos de integrantes da equipe, o acidente aconteceu logo após o menino e uma menina de 7 anos participarem da atividade. O funcionário Luis Gustavo, que saltou ao mesmo tempo que a criança, contou que percebeu algo errado ao não ouvir a comemoração do garoto após o salto.

"Comecei a ouvir as pessoas gritando o nome dele. Quando olhei para o lado, ele estava no chão", relatou.

O pai da criança, que também trabalhava no grupo, presenciou o acidente e prestou depoimento como testemunha à Polícia Civil.

Apesar do episódio, a equipe continuou promovendo saltos na ponte. Três meses depois, em 13 de junho, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu após ser lançada da estrutura sem estar presa à corda de segurança. Um vídeo gravado pela própria jovem confirmou que ela foi empurrada sem o equipamento obrigatório.

A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou quatro integrantes da equipe por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte. Entre os investigados está a organizadora do grupo, além de três homens responsáveis pela operação do salto.

As investigações também apontaram tentativa de ocultação de provas nos dois acidentes. De acordo com depoimentos, a organizadora teria determinado que funcionários recolhessem e apagassem as imagens registradas tanto no acidente envolvendo o menino quanto na morte de Maria Eduarda.

No relatório final, a Polícia Civil concluiu que a operação funcionava de forma clandestina e apresentava "significativa desorganização operacional", com ausência de protocolos de segurança, falta de isolamento da área e grande quantidade de saltos realizados em curto intervalo de tempo, aumentando o risco de falhas humanas.

Após a morte da jovem, o acesso à Ponte do Esqueleto foi bloqueado com cercas, placas de aviso, valas e barreiras de terra para impedir novos saltos no local.

As defesas dos investigados contestam a conclusão da polícia e afirmam que o caso deve ser tratado como crime culposo, sem intenção de matar. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre eventual denúncia à Justiça.

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