
Representantes do agronegócio e da indústria brasileira participam, na próxima segunda-feira (6), de uma audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, para defender os interesses do Brasil diante da proposta do governo do presidente Donald Trump de ampliar tarifas sobre produtos importados. O encontro reunirá mais de 70 brasileiros, entre lideranças empresariais, especialistas e parlamentares.
Ao todo, 11 representantes do agronegócio brasileiro terão direito à fala durante a audiência, dividindo espaço com 12 representantes do setor agropecuário norte-americano. A estratégia da delegação brasileira será destacar que a adoção de novas tarifas sobre produtos nacionais pode provocar aumento de preços para consumidores dos Estados Unidos, além de afetar cadeias produtivas que dependem de matérias-primas brasileiras.
Um dos principais pontos de divergência envolve o setor de biocombustíveis. A Renewable Fuels Association (RFA), entidade que representa produtores de etanol dos Estados Unidos, defende a adoção de tarifas recíprocas contra o Brasil, sob a alegação de práticas comerciais desleais. A associação utiliza pesquisas de opinião para sustentar que a produção doméstica de etanol é essencial para a segurança energética, o fortalecimento da economia rural e a redução dos preços dos combustíveis no país.
Do lado brasileiro, representantes de diferentes segmentos afirmam que os produtos nacionais se destacam pela qualidade e competitividade no mercado internacional. O setor cafeeiro, por exemplo, alerta que novas taxas poderão elevar o preço do café consumido pelos norte-americanos. Já a indústria da carne avalia que, mesmo diante de restrições comerciais, frigoríficos brasileiros instalados em outros países da América Latina poderão continuar abastecendo o mercado dos Estados Unidos.
Além das discussões envolvendo o agronegócio, a audiência contará com 14 painéis para tratar de diferentes setores da economia. Cada representante terá até cinco minutos para apresentar seus argumentos ao USTR, podendo responder a questionamentos durante o encontro. Os documentos com as justificativas técnicas foram enviados previamente e servirão de base para as apresentações que buscam evitar a adoção das novas barreiras comerciais.
Mín. 14° Máx. 25°