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Pesquisadores e parlamentares defendem avanço de testes com polilaminina para lesão medular

Durante a audiência, houve consenso sobre o potencial da pesquisa, mas também alertas quanto à necessidade de comprovação científica antes da ampliação do uso da substância

17/06/2026 às 17h53 Atualizada em 17/06/2026 às 19h31
Por: João Vitor Viana
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Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Pesquisadores, parlamentares e representantes de órgãos públicos debateram nesta quarta-feira (17), na Câmara dos Deputados, os avanços e desafios relacionados ao uso da polilaminina, medicamento experimental desenvolvido para o tratamento de lesões na medula espinhal. Durante a audiência, houve consenso sobre o potencial da pesquisa, mas também alertas quanto à necessidade de comprovação científica antes da ampliação do uso da substância.

Desenvolvida pela bióloga Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a polilaminina vem sendo estudada como uma alternativa para pacientes com lesões medulares. Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da primeira fase dos testes clínicos, que deverá envolver cinco voluntários com lesões recentes e graves na medula espinhal.

Embora os estudos clínicos ainda não tenham começado, alguns pacientes já tiveram acesso ao medicamento por meio do chamado uso compassivo, mecanismo que permite a utilização excepcional de tratamentos experimentais em casos graves e sem alternativas terapêuticas disponíveis. Segundo Tatiana Sampaio, há relatos de melhora entre pacientes tratados, mas ainda não existem dados suficientes para comprovar cientificamente a eficácia da substância.

Representantes do laboratório Cristália, responsável pelo financiamento da pesquisa e patrocinador dos testes clínicos, destacaram o caráter inédito da autorização concedida pela Anvisa para o desenvolvimento do estudo no Brasil. A gerente de pesquisa clínica da empresa, Maria Francesca Riccio, ressaltou que iniciativas desse tipo costumam ser conduzidas e avaliadas por agências regulatórias internacionais.

Por outro lado, representantes da Anvisa e do Ministério da Saúde reforçaram a importância do rigor técnico e científico. O especialista em regulação Claudiosvam Martins Alves de Sousa explicou que o uso compassivo não substitui a pesquisa clínica e que a autorização concedida em janeiro se refere apenas ao início dos testes formais. Já a representante do Ministério da Saúde, Cecília Menezes Farinasso, destacou que qualquer futura incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS) depende da comprovação de segurança e eficácia.

Durante o debate, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) afirmou que os resultados observados até o momento são promissores, mas ressaltou que é necessário aguardar a conclusão dos estudos clínicos. A parlamentar defendeu o equilíbrio entre agilidade nos processos e a responsabilidade exigida em pesquisas que envolvem a saúde humana.

Os deputados Átila Lira (PP-PI) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também defenderam medidas para ampliar o financiamento à ciência e reduzir entraves burocráticos que dificultam o desenvolvimento de pesquisas no país. Segundo eles, investimentos contínuos em inovação podem contribuir para avanços capazes de transformar a vida de pacientes e fortalecer a produção científica nacional.

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