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OMS estima 22,1 milhões de mortes associadas à pandemia de Covid-19

Número é três vezes superior ao total oficialmente reportado pelos países e inclui impactos indiretos da crise sanitária

16/05/2026 às 09h39
Por: Cristiane Cirilo
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Drauzio Varella
Drauzio Varella

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que a pandemia de Covid-19 esteve associada a 22,1 milhões de mortes no mundo entre 2020 e 2023, segundo dados divulgados no relatório World Health Statistics 2026.

O total é cerca de três vezes maior do que os aproximadamente 7 milhões de óbitos oficialmente notificados pelos governos ao longo do período.

De acordo com a OMS, o levantamento revela a dimensão global da pandemia e seus efeitos prolongados sobre os sistemas de saúde e a expectativa de vida da população mundial.

“O impacto reverteu uma década de avanços na expectativa de vida, com recuperação ainda incompleta e desigual entre as regiões”, aponta o documento.

A estimativa considera o chamado “excesso de mortalidade”, metodologia que compara o número de mortes registradas durante a pandemia com a quantidade esperada com base em tendências históricas anteriores à Covid-19.

Além das mortes diretamente causadas pelo coronavírus, o cálculo também inclui pessoas que morreram em decorrência da sobrecarga dos sistemas de saúde, como pacientes sem acesso adequado a tratamentos e atendimentos durante a crise sanitária.

Segundo o relatório, 2021 foi o ano mais crítico, com 10,4 milhões de mortes em excesso. O período coincidiu com a circulação da variante Delta e momentos de colapso hospitalar em diferentes países.

A organização também alertou para falhas na qualidade e no envio de dados de mortalidade por parte dos países.

Até o fim de 2025, apenas 18% das nações encaminhavam informações de mortalidade à OMS dentro do prazo de um ano. Quase um terço dos países nunca reportou dados sobre causas de morte.

Segundo a entidade, somente um terço dos países atende aos padrões internacionais de qualidade para dados de mortalidade, enquanto cerca da metade possui informações consideradas insuficientes ou inexistentes.

Para Alain Labrique, diretor do departamento de Dados, Saúde Digital, Análise e Inteligência Artificial da OMS, as lacunas dificultam o monitoramento de tendências globais e comprometem respostas rápidas em futuras emergências sanitárias.

A pandemia de Covid-19 foi declarada emergência internacional pela OMS em 2020 e permaneceu como uma das maiores crises sanitárias da história recente.

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