
Medidas simples dentro de casa podem reduzir significativamente os riscos de acidentes envolvendo energia elétrica. A instalação de equipamentos de proteção e a revisão periódica das instalações elétricas estão entre as principais recomendações para evitar choques, curtos-circuitos e incêndios residenciais.
Dados do Anuário de Acidentes de Origem Elétrica 2026, elaborado pela Abracopel com base em informações de 2025, apontam crescimento no número de ocorrências no país. Foram registrados 2.322 acidentes no último ano, mais que o dobro dos 1.038 casos contabilizados em 2013, início da série histórica. O número de mortes também aumentou no período, passando de 631 para 725.
Os incêndios provocados por falhas elétricas lideram as estatísticas, com 1.304 registros e 60 mortes. Já os choques elétricos aparecem como as ocorrências mais letais, com 646 mortes em 917 acidentes, índice de letalidade próximo de 70%.
Entre os equipamentos considerados essenciais para a segurança está o Dispositivo Diferencial Residual (DR), também chamado de IDR. O sistema interrompe automaticamente o fornecimento de energia quando identifica fuga de corrente, ajudando a prevenir choques elétricos e acidentes fatais. Apesar de obrigatório no Brasil desde 1997, levantamento da Abracopel indica que menos da metade dos imóveis possui o equipamento.
Outro dispositivo recomendado é o Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS), utilizado para proteger aparelhos eletrônicos contra oscilações bruscas de energia, especialmente durante tempestades e descargas atmosféricas. O equipamento também auxilia na prevenção de incêndios causados por sobretensão elétrica.
Já os sistemas de proteção contra descargas atmosféricas, conhecidos como para-raios, são indicados principalmente para construções maiores ou localizadas em áreas mais vulneráveis à incidência de raios.
Especialistas também reforçam a importância da manutenção preventiva das instalações elétricas. A recomendação é que a revisão seja realizada, em média, a cada cinco anos ou sempre que houver aumento significativo da carga elétrica da residência, como a instalação de equipamentos de maior potência.
Segundo o gerente de Saúde e Segurança Corporativa da Cemig, José Firmo do Carmo Júnior, muitas ocorrências estão relacionadas a instalações antigas, improvisadas ou incompatíveis com o atual padrão de consumo das residências.
Ele destaca que projetos elétricos elaborados por profissionais qualificados, aliados à manutenção preventiva e ao uso consciente da energia, contribuem diretamente para a redução de acidentes.
Outro ponto de atenção é o uso correto das tomadas de três pinos, padrão adotado no Brasil. O terceiro pino é responsável pelo aterramento da instalação, mecanismo que direciona correntes de fuga para o solo e reduz o risco de choques elétricos.
Também é recomendado evitar o uso de benjamins, extensões e adaptadores em equipamentos de alta potência, como fritadeiras elétricas, micro-ondas, ferros de passar e chuveiros elétricos. A sobrecarga provocada por conexões inadequadas pode provocar superaquecimento, curto-circuito e incêndios.
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