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Influenciadores nas eleições: lei impõe limites ao conteúdo político e fiscalização segue como desafio do TSE

Criadores de conteúdo podem se manifestar politicamente nas redes, mas não podem ser pagos ou contratados para fazer campanha eleitoral. Regras da Justiça Eleitoral também restringem impulsionamento e ampliam debate sobre fiscalização digital nas eleições de 2026

25/04/2026 às 11h17
Por: Cristiane Cirilo
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A atuação de influenciadores digitais em campanhas eleitorais segue cercada por regras específicas na legislação brasileira e tem sido um dos principais pontos de atenção da Justiça Eleitoral diante da crescente influência das redes sociais no debate político.

Pela legislação, influenciadores podem expressar apoio ou crítica a candidatos, mas apenas de forma espontânea, como cidadãos comuns, sem qualquer vínculo contratual com partidos ou campanhas. Também é proibido o pagamento por esse tipo de divulgação, incluindo publicações conhecidas como “publis” com pedido de votos.

Além disso, mesmo manifestações pessoais não podem ser impulsionadas ou monetizadas durante o período eleitoral. O impulsionamento de conteúdo pago nas redes é permitido apenas para candidatos, partidos e coligações, desde que feito por canais oficiais e com identificação clara da propaganda.

Segundo entendimento da Justiça Eleitoral, a regra busca evitar desequilíbrios na disputa e garantir transparência no ambiente digital.

Apesar das normas, especialistas apontam que a aplicação prática da lei enfrenta dificuldades. O principal desafio está em distinguir conteúdos espontâneos de propaganda eleitoral disfarçada, especialmente quando há engajamento indireto entre campanhas e influenciadores.

Outro ponto de atenção são páginas de grande alcance, como perfis de memes, entretenimento e fofoca, que muitas vezes operam como estruturas comerciais e podem reproduzir conteúdos políticos sem identificação clara de vínculo com campanhas.

Nesse cenário, a Justiça Eleitoral atua com base em regras que também proíbem propaganda paga irregular e exigem identificação do responsável pelo conteúdo impulsionado.

Quando há irregularidade, candidatos, partidos e coligações podem ser multados e obrigados a retirar conteúdos. Em casos mais graves, há risco de cassação de registro ou mandato e inelegibilidade por abuso de poder.

Os próprios influenciadores também podem ser responsabilizados, especialmente quando há participação direta na veiculação de propaganda irregular ou disseminação de desinformação.

Com a consolidação das redes sociais como principal arena de disputa política, campanhas passaram a buscar estratégias mais segmentadas, incluindo o uso de microinfluenciadores: perfis menores, mas com forte engajamento em nichos específicos.

Esse modelo torna a fiscalização mais complexa, já que a comunicação política se fragmenta em múltiplos canais e formatos, muitas vezes de difícil rastreamento.

Além dos influenciadores, outro desafio crescente é o uso de inteligência artificial em campanhas. A legislação eleitoral permite o uso de IA na produção de conteúdo, desde que isso seja informado ao eleitor. Já a criação de deepfakes e manipulação de imagens e vozes com objetivo eleitoral é proibida.

Para especialistas, o ambiente digital alterou profundamente a dinâmica das campanhas, mas a essência da regra eleitoral permanece a mesma: evitar abuso econômico e garantir equilíbrio entre candidatos.

Ainda assim, com o avanço das plataformas e das novas formas de comunicação, a fiscalização segue como um dos principais desafios da Justiça Eleitoral para as eleições de 2026.

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