
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o prefeito de Guanhães, no Vale do Rio Doce, por uma série de crimes relacionados a ameaças e perseguição contra a ex-esposa. Ele está preso preventivamente desde 1º de abril de 2026 e vai responder por ameaça qualificada, perseguição, violência psicológica e posse de arma de fogo.
Segundo o MPMG, as condutas teriam ocorrido entre agosto de 2025 e março deste ano, motivadas pelo inconformismo do prefeito com o fim do relacionamento, encerrado formalmente em fevereiro de 2024.
A denúncia foi apresentada à Justiça pela Procuradoria de Justiça Especializada em Ações de Competência Originária (PCO), que atua em casos envolvendo agentes públicos com foro especial.
O Ministério Público também pediu a manutenção da prisão preventiva e a ampliação das investigações para apurar possíveis outros crimes, como tentativa de feminicídio, abuso de autoridade, uso indevido de recursos públicos e adulteração de sinal identificador de veículo.
De acordo com a investigação, o prefeito teria enviado à vítima imagens de arma de fogo por aplicativo de mensagens e feito declarações ameaçadoras, afirmando que não aceitaria a separação e que “ela não seria de mais ninguém”.
Em outro registro, citado pelo MPMG, ele teria mencionado a possibilidade de morte da ex-companheira em conversa gravada. Também há relato de testemunha sobre uma ameaça envolvendo a vítima e o atual companheiro dela.
O Ministério Público aponta que houve perseguição contínua, com monitoramento da rotina da vítima, vigilância constante e restrição indireta de sua liberdade.
As investigações também indicam possível uso de servidores públicos subordinados e equipamentos de vigilância, como drones, para acompanhamento da rotina da ex-companheira.
A denúncia descreve um padrão de violência psicológica, com episódios de coação, manipulação, exposição pública e tentativa de controle emocional da vítima.
Segundo o MPMG, o prefeito teria usado informações pessoais sensíveis da ex-esposa durante sua campanha política, além de pressioná-la para manter a aparência de relacionamento após a separação e desqualificá-la diante de terceiros.
Durante cumprimento de mandados de busca e apreensão, foram encontradas armas de fogo em imóveis ligados ao investigado: um revólver calibre .38 na residência e uma espingarda calibre .36 em propriedade rural.
O Ministério Público defende a continuidade da prisão preventiva, alegando risco à vítima, possibilidade de interferência nas investigações e tentativa de obstrução da Justiça.
Segundo a denúncia, o comportamento do investigado indicaria risco de reiteração das condutas e uso de influência política e econômica para dificultar o andamento do processo.
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