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“Taxa das blusinhas”: receita dos Correios com encomendas internacionais cair de 22% para 8%

Participação da receita com importações despenca entre 2023 e 2025 após programa Remessa Conforme. Estatal aponta perda de mercado e mudança no modelo de distribuição como fatores centrais da queda

25/04/2026 às 11h39
Por: Cristiane Cirilo
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Jornal Nacional
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A participação das receitas dos Correios com a distribuição de encomendas internacionais caiu de 22% em 2023 para 7,8% em 2025, segundo demonstrações financeiras da estatal publicadas no Diário Oficial da União. O recuo representa uma das mudanças mais significativas no balanço recente da empresa.

A redução está associada à implementação do programa Remessa Conforme, do Ministério da Fazenda, que alterou regras para importação de produtos comprados em sites estrangeiros e abriu o mercado de logística internacional para empresas privadas, reduzindo a dependência dos Correios nesse segmento.

Em 2024, a estatal registrou receita de R$ 3,9 bilhões com encomendas internacionais. Já em 2025, o valor caiu para R$ 1,3 bilhão, uma retração de aproximadamente R$ 2,6 bilhões em relação ao ano anterior.

De acordo com documentos internos da empresa, a mudança regulatória expôs fragilidades no modelo de negócios da estatal no segmento internacional. A avaliação é de que a empresa perdeu participação em um mercado que, até recentemente, tinha atuação predominante dos Correios.

O volume de encomendas também caiu de forma expressiva no período, com redução estimada em dezenas de milhões de objetos transportados entre 2024 e 2025, segundo registros internos da companhia.

Criado em 2023, o programa Remessa Conforme passou a regulamentar compras internacionais de até US$ 50, com cobrança de imposto de importação de 20% sobre as remessas. A medida ficou conhecida como “taxa das blusinhas”.

Além da tributação, o programa permitiu que empresas privadas de logística realizem a distribuição de produtos importados dentro do Brasil, atividade que antes era concentrada nos Correios.

Com a abertura do mercado, plataformas internacionais passaram a operar com redes logísticas próprias ou parcerias privadas, reduzindo o volume de encomendas processadas pela estatal.

Documentos internos citam que a mudança resultou em perda de clientes e queda de receitas, especialmente entre grandes varejistas internacionais, que representam parcela relevante do faturamento da empresa.

Em relatórios recentes, a estatal reconhece que enfrenta um cenário de retração no segmento internacional e aponta dificuldades de adaptação ao novo ambiente competitivo.

Segundo análises internas, a redução de receitas nesse setor teve impacto direto no resultado financeiro da empresa, que também passou a enfrentar maior pressão sobre sua estrutura operacional e de custos.

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