
Profissionais relatam sobrecarga, desigualdades salariais e atrasos; Prefeitura afirma que demandas estão em negociação
A valorização dos profissionais da enfermagem da rede municipal de saúde de Belo Horizonte foi tema de audiência pública realizada na tarde da quarta-feira (15), na Comissão de Saúde e Saneamento. O encontro, solicitado pelo vereador Dr. Bruno Pedralva (PT), reuniu representantes da categoria, que apresentaram uma série de reivindicações relacionadas a salários, condições de trabalho e organização das equipes.
Entre os principais pontos levantados estão a correção de distorções salariais, a equiparação do piso ao nível inicial da carreira e a revisão dos valores pagos em comparação com municípios vizinhos. A Prefeitura informou que todas as demandas já estão em discussão na mesa de negociação com o sindicato.
Durante a audiência, profissionais destacaram a sobrecarga de trabalho como um dos principais desafios. A enfermeira Sofia Barbosa apontou o número insuficiente de trabalhadores nas equipes, o que compromete o atendimento e gera acúmulo de funções. Ela também criticou o desvio de profissionais para atividades administrativas, o que, segundo afirmou, prejudica o cuidado direto com os pacientes.
Apesar da existência do piso nacional da enfermagem, a categoria avalia que os impactos ainda são limitados na capital. Aline Lara, do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, destacou que os profissionais representam a maior parte da força de trabalho da saúde, mas não recebem valorização proporcional. “Somos a base do SUS e não temos reconhecimento compatível”, afirmou.
A necessidade de manter mais de um emprego também foi destacada. A auxiliar de enfermagem Graça Rosa relatou que os baixos salários levam muitos trabalhadores à exaustão. Ela também apontou que cidades da Região Metropolitana, como Betim, Contagem e Nova Lima, oferecem remunerações superiores.
Outro ponto de crítica foi a diferença de tratamento entre servidores efetivos e contratados. Profissionais relataram atrasos no pagamento do complemento salarial e desigualdades em benefícios, como o vale-refeição. Também houve queixas sobre o não pagamento de adicionais, como a insalubridade.
O vereador Dr. Bruno Pedralva destacou a necessidade de corrigir distorções dentro da própria carreira, como a diferença salarial entre técnicos de enfermagem que exercem funções semelhantes. Ele defendeu a unificação da categoria e avanços nas negociações em curso. “Sabemos das limitações fiscais, mas é fundamental garantir justiça e valorização para esses profissionais”, afirmou.
Representando o Executivo, a diretora de Gestão de Pessoas da Prefeitura, Dayanne Araújo, reconheceu a legitimidade das reivindicações e afirmou que os pontos apresentados estão em análise. Segundo ela, as demandas seguem em negociação com o sindicato.
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