
Enfrentar a dengue pode trazer consequências que vão além dos sintomas mais conhecidos da doença. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que a infecção está associada a um aumento expressivo no risco de desenvolver a síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma condição neurológica rara e potencialmente incapacitante.
De acordo com a pesquisa, o risco de desenvolver a síndrome é 17 vezes maior nas seis semanas após a dengue. Nas duas primeiras semanas, esse índice pode chegar a ser 30 vezes superior ao de pessoas não infectadas.
Os resultados foram divulgados na revista científica New England Journal of Medicine nesta quarta-feira (15) e avançam ao quantificar uma relação que, até então, era sustentada principalmente por registros clínicos isolados.
A análise foi baseada em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo internações hospitalares, notificações de casos de dengue e registros de óbitos. Entre 2023 e 2024, foram contabilizadas mais de 5 mil hospitalizações por síndrome de Guillain-Barré. Desses casos, 89 ocorreram após infecção recente por dengue.
A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune que atinge os nervos periféricos, comprometendo a comunicação entre o cérebro, a medula espinhal e o restante do corpo. Os sintomas costumam começar com fraqueza nas pernas e podem evoluir para os braços, o rosto e os músculos responsáveis pela respiração.
Em quadros mais graves, pode haver paralisia total, com necessidade de suporte respiratório. Embora a maioria dos pacientes se recupere, o processo pode ser prolongado e há risco de sequelas permanentes.
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