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Dados da Receita revelam um repasse de mais de meio milhão de reais do Banco Master à SAF do Cruzeiro

A operação envolve empresa de investidor ligado ao rival Atlético-MG

09/04/2026 às 17h43
Por: Suylan Rikelme
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Divulgação: Redes Sociais
Divulgação: Redes Sociais

Um repasse de aproximadamente R$ 587 mil do Banco Master à SAF do Cruzeiro foi identificado em informações da Receita Federal relativas ao ano de 2025. A instituição financeira é controlada por Daniel Vorcaro, investidor com ligação ao Atlético-MG, rival do clube celeste.

Os dados foram enviados pela Receita à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado e fazem parte de um conjunto com mais de 2,8 mil registros de movimentações financeiras envolvendo pessoas físicas e jurídicas que tiveram vínculo com o banco ao longo do período.

Conforme os registros, o valor destinado à SAF do Cruzeiro foi de R$587.782,32, já com desconto de R$2.652,72 referentes ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Em posicionamento oficial, o Cruzeiro esclareceu que a quantia não corresponde a um aporte direto do Banco Master no clube. Segundo a instituição, trata-se de rendimentos oriundos de uma operação financeira previamente contratada.

O clube detalhou que o valor está relacionado à chamada “fixação de domicílio bancário”, prevista em um contrato de cessão fiduciária de recebíveis firmado com um fundo multimercado de crédito privado, no qual o Banco Master atuava como administrador.

Ainda de acordo com o Cruzeiro, o acordo tinha como finalidade assegurar o pagamento de notas comerciais emitidas pela SAF, que foram quitadas na data de vencimento, em 8 de abril de 2025.

Daniel Vorcaro, responsável pelo controle do Banco Master, também é investidor do Atlético-MG, tendo adquirido cerca de 27% da SAF do clube por meio de um aporte aproximado de R$ 300 milhões.

O empresário, contudo, é alvo de investigações e chegou a ser preso em 2025 durante a operação “Compliance Zero”, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de crimes financeiros, corrupção e ameaças. Após a prisão, ele foi afastado do Conselho de Administração do Atlético-MG.

Apesar da relação de Vorcaro com o clube rival, o Cruzeiro reiterou que a movimentação identificada se limita a uma operação financeira contratual, sem envolvimento acionário ou investimento direto do banco em sua estrutura.

 

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