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Master e JBS repassaram R$ 18 milhões a consultoria que pagou filho de ministro do STF, aponta Coaf

Segundo o documento, os repasses ocorreram entre agosto de 2024 e julho de 2025 para a empresa Consult Inteligência Tributária, sediada em Teresina (PI)

19/03/2026 às 13h14
Por: Cristiane Cirilo
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Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que o Banco Master e a JBS transferiram, juntos, cerca de R$ 18 milhões para uma empresa de consultoria que realizou pagamentos ao filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o documento, os repasses ocorreram entre agosto de 2024 e julho de 2025 para a empresa Consult Inteligência Tributária, sediada em Teresina (PI). No período, o Banco Master enviou aproximadamente R$ 6,6 milhões, enquanto a JBS transferiu cerca de R$ 11,3 milhões.

De acordo com o Coaf, os valores correspondem à totalidade das receitas registradas pela empresa no intervalo analisado. No entanto, a consultoria declarou faturamento de apenas R$ 25,5 mil no período.

Diante da discrepância, o órgão classificou as movimentações como incompatíveis com a capacidade financeira da empresa, indicando possível origem não formal de parte dos recursos.

O relatório também identificou que a consultoria realizou 11 transferências, que somam R$ 281,6 mil, ao escritório do advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques.

Registros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) indicam que ele é o único responsável pelo escritório. Com cerca de um ano de atuação profissional, o advogado trabalha com direito tributário e também atua em processos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília.

O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) por suspeitas de lavagem de dinheiro. O caso tem repercussão no meio político e jurídico, com desdobramentos também no Congresso Nacional.

Em manifestação ao jornal O Estado de S. Paulo, Kevin Marques afirmou que os valores recebidos são lícitos e decorrentes da prestação regular de serviços advocatícios.

A JBS informou que contrata consultorias para apoiar sua atuação na área tributária, incluindo a empresa citada. Já a Consult Inteligência Tributária declarou que presta serviços de auditoria, consultoria tributária e desenvolvimento de sistemas.

Sobre os pagamentos ao advogado, a empresa afirmou que se referem à prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica entre 2024 e 2025.

As informações fazem parte de relatórios de inteligência financeira e podem subsidiar investigações em andamento. Até o momento, não há decisão judicial sobre o caso.

O conteúdo segue sob apuração de órgãos de controle e investigação, que analisam a natureza das movimentações e possíveis desdobramentos.

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