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SUS passa a oferecer atendimento psicológico on-line para mulheres vítimas de violência

A ideia é que o atendimento remoto funcione de forma integrada com outros serviços do SUS e da assistência social, permitindo encaminhamentos mais rápidos e acompanhamento dos casos

19/03/2026 às 10h11
Por: Cristiane Cirilo
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Jeronimo Gonzales/MS
Jeronimo Gonzales/MS

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai disponibilizar atendimento psicológico on-line para mulheres em situação de violência em todo o país. A medida começa a ser implementada ainda neste mês e faz parte do Pacto Brasil entre os Três Poderes para o Enfrentamento do Feminicídio.

A proposta é ampliar o acesso à saúde mental por meio de consultas remotas. A expectativa do governo federal é que o serviço alcance até 4,7 milhões de atendimentos por ano.

O atendimento começa pelas capitais Recife e Rio de Janeiro. A previsão é que, em maio, o serviço seja ampliado para cidades com mais de 150 mil habitantes e, até junho, esteja disponível em todo o Brasil.

A iniciativa surge em meio à demanda crescente por atendimento psicológico na rede pública, especialmente entre mulheres que enfrentam situações de violência doméstica e de gênero.

O acesso ao teleatendimento poderá ser feito por encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou por serviços da rede de proteção. Também haverá a opção de solicitação direta pelo aplicativo Meu SUS Digital.

Após o cadastro, a paciente passa por uma avaliação inicial e recebe o agendamento da consulta. O primeiro atendimento deve mapear a situação de risco, as necessidades e possíveis encaminhamentos dentro da rede pública.

Especialistas apontam que a oferta de atendimento psicológico no SUS ainda é limitada em muitas regiões, o que dificulta o acesso rápido ao cuidado, principalmente em casos mais urgentes. A aposta no formato remoto tenta reduzir esse gargalo, sobretudo em municípios menores ou com déficit de profissionais.

Além do atendimento psicológico, o pacote anunciado pelo governo inclui outras medidas voltadas às vítimas de violência, como serviços de reconstrução dentária e atendimento humanizado.

A ampliação do teleatendimento ocorre junto a outras iniciativas na área da saúde da mulher. Nos dias 21 e 22 de março, está previsto um mutirão nacional para realização de exames e cirurgias, com participação de hospitais públicos e instituições parceiras, como a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares.

Também está prevista a circulação de unidades móveis de atendimento em diferentes estados ao longo de 2026.

A ideia é que o atendimento remoto funcione de forma integrada com outros serviços do SUS e da assistência social, permitindo encaminhamentos mais rápidos e acompanhamento dos casos.

Apesar do avanço, especialistas destacam que a efetividade da medida dependerá da articulação com a rede local e da capacidade de absorver a demanda, especialmente em regiões com histórico de sobrecarga no sistema público de saúde.

 

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