
As chuvas intensas que atingiram a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) nas primeiras semanas de fevereiro trouxeram um alívio significativo para o sistema de abastecimento de água da região. Em apenas um mês, o nível dos reservatórios do Sistema Paraopeba, operado pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais, saltou de 48,1% para 63,1% da capacidade, garantindo maior estabilidade no fornecimento de água para milhões de moradores.
O cenário geral é de recuperação, embora os sistemas ainda apresentem diferenças importantes nos volumes armazenados. O Rio Manso alcançou 74,8% da capacidade, enquanto a represa de Vargem das Flores chegou a 74,6%, ambos em patamares considerados confortáveis. Já o reservatório de Serra Azul, apesar da elevação recente, opera com 38% da capacidade, abaixo da metade do volume total.
Mesmo com os contrastes, a tendência é de alta em todos os sistemas, reflexo direto do volume de chuvas registrado no período. Em fevereiro, os índices pluviométricos superaram, em alguns casos, a média histórica. O Rio das Velhas acumulou 182,2 milímetros (mm) de chuva, contra 78,8 mm no mesmo período do ano passado, acima da média histórica de 166,8 mm.
O sistema Rio Manso também apresentou crescimento expressivo, passando de 49,2 mm em 2025 para 125,4 mm em 2026. Já Serra Azul (125 mm) e Vargem das Flores (156 mm) registraram volumes próximos da média histórica para o mês de fevereiro, reforçando o processo de recarga dos reservatórios.
Em nota, a Copasa informou que os sistemas operam atualmente com níveis suficientes para garantir o abastecimento da população e destacou que, por ainda ser período chuvoso, os reservatórios continuam em processo de recuperação. A companhia afirmou manter monitoramento permanente e rigoroso das estruturas de contenção e dos reservatórios.
“As vistorias são realizadas periodicamente por equipes técnicas especializadas, com foco na segurança estrutural, na qualidade da água e no controle dos níveis, especialmente em períodos de estiagem ou de chuvas intensas”, informou a empresa.
Apesar do cenário mais favorável, a Copasa reforça que o consumo consciente de água deve ser mantido, mesmo em períodos chuvosos. A companhia orienta a população a adotar medidas simples no dia a dia, como reduzir o tempo de banho, evitar o uso de mangueira para lavar calçadas e veículos, reutilizar água da máquina de lavar roupas, fechar torneiras ao ensaboar louças ou escovar os dentes e verificar regularmente a tubulação dos imóveis para prevenir vazamentos.
A empresa também alerta para os impactos das ligações clandestinas. “O furto de água nas redes compromete a pressão do sistema, pode reduzir a oferta em algumas regiões e impacta diretamente a qualidade do serviço prestado”, informou, em comunicado.
Com os reservatórios em processo de recuperação e o período chuvoso ainda em andamento, o sistema de abastecimento da Grande BH entra em 2026 em situação mais confortável do que nos meses anteriores, mas com a necessidade de gestão responsável dos recursos hídricos para garantir segurança no fornecimento ao longo do ano.
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