
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira (23) que o governo americano vai tratar da situação de Cuba depois de lidar com o Irã. Durante um comício em Fort Myers, na Flórida, ele mencionou a possibilidade de navios militares dos Estados Unidos passarem pela costa cubana e disse que enviará o secretário de Estado, Marco Rubio, para concluir um acordo com Havana.
“Vamos cuidar de Cuba na volta do Irã”, afirmou Trump, ao comentar a situação da ilha durante o evento. O presidente também descreveu um cenário em que um navio americano pararia a cerca de 45 metros da costa cubana antes de Rubio entrar em cena para “finalizar o acordo”.
A declaração foi feita diante de apoiadores e retoma as ameaças de Trump de aumentar a pressão sobre o governo cubano. Apesar do tom, o presidente não apresentou um plano detalhado de intervenção militar nem estabeleceu uma data para qualquer operação contra a ilha.
A fala ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Washington e Havana. Desde o início do segundo mandato de Trump, o governo americano intensificou medidas contra Cuba e declarou que pretende promover mudanças no sistema político do país, governado pelo Partido Comunista.
A pressão econômica inclui restrições ao fornecimento de petróleo, que agravam as dificuldades de uma economia já afetada por escassez de combustível, apagões e problemas de infraestrutura. A ilha também enfrenta falta de alimentos, inflação e dificuldades para manter serviços essenciais.
Os Estados Unidos mantêm um embargo econômico contra Cuba há mais de seis décadas. A política é um dos principais pontos de conflito entre os dois países e tem sido alvo de críticas do governo cubano e de defensores do fim das sanções.
Trump já havia sinalizado, em declarações anteriores, que esperava chegar a um acordo com Cuba. Em setembro, afirmou que Rubio estava envolvido em negociações com representantes da ilha e disse acreditar que seria possível alcançar um entendimento sem necessidade de ação militar.
A declaração desta sexta-feira, porém, voltou a associar o futuro das relações entre os países à presença militar americana na região. A menção a navios de guerra reforça a pressão sobre Havana, embora não represente, por si só, o anúncio de uma operação militar.
Rubio, filho de imigrantes cubanos e defensor de uma linha dura contra o governo da ilha, tem desempenhado papel central na política americana para Cuba. Após a fala de Trump, o secretário publicou uma mensagem nas redes sociais defendendo que aqueles que desejam mudanças no país aproveitem a oportunidade para agir, em referência a uma possível cooperação com a CIA.
Representantes dos dois governos mantiveram contatos nos últimos meses para discutir as relações bilaterais, mas as conversas não resultaram, até o momento, em um acordo público que encerre as divergências.
Cuba atravessa uma crise econômica e energética que se agravou nos últimos anos. A falta de combustível contribui para interrupções no fornecimento de energia e afeta o transporte, a produção e o funcionamento de serviços públicos.
O aumento da pressão americana ocorre em um contexto de dificuldades para a população cubana e de saída de milhares de pessoas do país. A disputa também tem repercussões na política interna dos Estados Unidos, especialmente na Flórida, onde vive uma expressiva comunidade de origem cubana.
Até a publicação desta reportagem, Trump não havia apresentado detalhes sobre quais medidas pretende adotar contra Cuba após o conflito com o Irã. Também não havia sido anunciado um cronograma oficial para a eventual passagem dos navios militares citados pelo presidente.
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