
A Defesa Civil de Minas Gerais apresentou, na manhã desta terça-feira (20), os possíveis impactos do 'El Niño' no estado. Além disso, o órgão também explicou quais têm sido as ações promovidas em conjunto com outros órgãos e também prefeituras para se preparar, de forma antecipada, a esse fenômeno da natureza.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há mais de 90% de chances do 'El Niño' atingir o nível de intensidade "muito forte", entre outubro e dezembro de 2026.
"Na verdade, temos um regime de cada vez mais imprevisibilidade, que a gente chama de extremos climáticos, ou seja, estiagens severas, regimes de chuva severas. Para se ter ideia, até diferente historicamente do que se tem no estado, a gente começou a ter um regime maior de vendavais, temporais no interior. Temos também a expectativa de ter uma estiagem prolongada, com pancadas de chuva mais à frente", explicou o Coordenador Estadual de Defesa Civil, Coronel Paulo Rezende.
Monitoramento e alertas à população
A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) realiza o monitoramento contínuo do clima por meio do Centro de Inteligência em Defesa Civil (Cindec), que tem sede na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. Essa sala de situação 24 horas cruza dados de satélites e radares, níveis dos rios e estabilidade de encostas.
Com essas informações, o Cindec emite relatórios diários e semanais para forças operacionais, concessionárias e prefeituras para que possam organizar o contingenciamento de equipes de segurança, socorro e insumos em caso de ocorrências climáticas.
Outra parte da estratégia é a comunicação direta com a população. O Cindec é responsável por enviar, de graça, alertas de chuva, granizo, enchentes, alagamentos e riscos de deslizamento de terra para os celulares. Para receber os avisos, basta o cidadão enviar uma mensagem com o CEP para o número 40199.
A orientação é para que os ciadadãos fiquem atentos aos canais oficiais da Defesa Civil, inclusive nas redes sociais. Todos precisam estar atentos às medidas de autoproteção, como não atravessar enxurradas, sair de casa ao menor risco de desabamento e evitar o contato com a água ou lama de enchentes, que pode gerar infecções graves, como a leptospirose.
A Defesa Civil de Minas Gerais reforça os números que podem ser acionados em caso de emergência: o 199 da Defesa Civil, 193 do Corpo de Bombeiros, 190 da Polícia Militar e o 192, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Afinal, o que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial.
Ele integra um ciclo conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que alterna fases de aquecimento (El Niño) e resfriamento (La Niña) do oceano, intercaladas por períodos de neutralidade.
Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste e empurram as águas quentes em direção à Ásia e à Oceania. Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem e o calor se espalha para o leste, em direção à costa da América do Sul.
A mudança altera a circulação da atmosfera e interfere na distribuição de chuvas e temperaturas em várias partes do planeta.
O fenômeno costuma se repetir em intervalos irregulares, em geral de dois a sete anos, e dura de nove a doze meses, embora a duração e a intensidade variem a cada episódio.
O nome, que significa “o menino” em espanhol, foi dado por pescadores peruanos, que notavam o aquecimento das águas perto do Natal, em referência ao Menino Jesus.
No Brasil, os efeitos tendem a ser distintos conforme a região: há maior risco de seca no Norte e no Nordeste, chuvas acima da média no Sul e temperaturas mais elevadas no Sudeste e no Centro-Oeste.
Os impactos, porém, não seguem um padrão rígido e dependem de outros fatores climáticos que atuam ao mesmo tempo.
Mín. 20° Máx. 30°