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Ebola no Congo supera 9 mil casos e avança para novas regiões do país

Surto causado pelo vírus Bundibugyo já provocou mais de 4,3 mil mortes; Organização Mundial da Saúde acompanha a expansão da doença e alerta para dificuldades no controle da transmissão

19/10/2026 às 09h00
Por: Cristiane Cirilo
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 MSF/ reprodução
MSF/ reprodução

O surto de Ebola na República Democrática do Congo continua avançando e já ultrapassou 9 mil casos confirmados, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A epidemia, identificada em maio de 2026, é a maior já registrada no país e enfrenta dificuldades de controle em meio à insegurança, aos deslocamentos populacionais e ao acesso limitado aos serviços de saúde.

No relatório epidemiológico com dados até 11 de outubro, a OMS registrou 9.066 casos confirmados e 4.381 mortes no país. O documento aponta que a transmissão permanece elevada, apesar de diferenças na evolução da doença entre as regiões afetadas. https://www.afro.who.int/countries/democratic-republic-congo/publication/ebola-bundibugyo-virus-disease-outbreak-5" title="O relatório está disponível no site oficial da organização"/>.

Surto se espalha por diferentes províncias

A epidemia já havia alcançado sete províncias congolesas e 65 zonas de saúde até 11 de outubro, segundo a OMS. A província de Ituri concentrava a maior parte dos casos, enquanto também havia transmissão importante em Nord-Kivu e Haut-Uélé.

Neste domingo (18), novas informações sobre a expansão do surto indicaram a identificação de casos em Nord-Ubangi, província que faz fronteira com a República Centro-Africana. A atualização reforça a preocupação com a disseminação geográfica da doença e a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica.

A OMS mantém uma página específica para acompanhar a epidemia, com atualizações sobre casos, mortes e medidas de resposta. O órgão também monitora o risco de transmissão entre países, em especial nas regiões que compartilham fronteiras com o Congo.

Qual é o tipo de Ebola identificado?

O surto é provocado pelo vírus Bundibugyo, uma espécie do vírus Ebola. Segundo a OMS, não há vacina aprovada nem tratamento específico aprovado para essa variante, embora pesquisas sobre possíveis medidas de prevenção e tratamento estejam em andamento.

A doença pode provocar febre, fadiga, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Em fases posteriores, pode causar sintomas gastrointestinais e comprometimento de órgãos. Os primeiros sinais podem ser confundidos com os de outras doenças, o que dificulta a identificação rápida dos casos.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas, além do contato com materiais contaminados. Pessoas infectadas não transmitem o vírus antes do início dos sintomas, de acordo com a organização.

Dificuldades para conter a transmissão

A resposta das autoridades inclui vigilância epidemiológica, identificação e acompanhamento de pessoas que tiveram contato com infectados, testes laboratoriais, atendimento clínico e medidas para prevenir a transmissão em unidades de saúde e comunidades.

A OMS aponta que conflitos armados, deslocamentos de moradores, dificuldades de acesso a serviços básicos e ataques a estruturas de saúde prejudicam o trabalho das equipes. A demora para reconhecer os casos e procurar atendimento também aumenta o risco de transmissão dentro de famílias e comunidades.

A organização considera muito alto o risco de saúde pública dentro da República Democrática do Congo e alto para países vizinhos que compartilham fronteiras terrestres. Para o restante da região africana e para o mundo, a avaliação divulgada em setembro era de risco baixo.

A OMS recomenda reforçar a vigilância e a cooperação entre países, mas informa que não recomenda restrições gerais de viagens ou comércio com os países afetados.

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