
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu sanções e tarifas contra a Rússia que passariam a valer em poucos dias, com base em uma lei que ele próprio sancionou no mês passado. Em decreto divulgado pela Casa Branca na sexta-feira (16), Trump argumenta que a suspensão atende ao interesse nacional do país e informou ao Congresso que emitiu a isenção com essa justificativa. A medida fica em vigor até que ele ou seus principais assessores considerem que “outras medidas sejam apropriadas”.
A Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã, assinada em meados de setembro, foi criada para aumentar a pressão sobre Moscou pela invasão da Ucrânia, iniciada em 2022. O texto previa, em 30 dias, tarifas de até 100% sobre todas as mercadorias vindas dos cinco maiores importadores de petróleo bruto ou gás russo, além de penalidades para qualquer país que comprasse esses produtos sabendo de sua origem ou que figurasse entre os cinco principais ajudantes da Rússia na tentativa de driblar as sanções. A própria lei permite ao presidente dispensar essas punições bastando comunicar ao Congresso que as considera contrárias ao interesse nacional.
Neste sábado (17), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reagiu em uma publicação no X, dizendo que suspender as sanções, aliviar a pressão sobre o agressor e premiar financeiramente Vladimir Putin só o estimula a seguir atacando. Segundo Zelensky, na sexta-feira a Rússia atingiu mais de 15 instalações ucranianas de geração e transmissão de energia. Ele defendeu que os esforços sigam para acabar com a guerra, sem dar a Putin motivos para prolongá-la indefinidamente.
A decisão vem em um momento de tensão no cenário político dos Estados Unidos. Faltam poucas semanas para as eleições de meio de mandato, e os republicanos de Trump tentam manter a pequena maioria no Congresso. Segundo analistas, as novas punições poderiam ter elevado ainda mais os preços do petróleo, em um período em que os americanos já enfrentam custos maiores, em grande parte ligados à guerra de EUA e Israel contra o Irã.
Desde que voltou ao poder, Trump vem adotando um tom mais favorável a Moscou e, ao mesmo tempo, criticando publicamente Zelensky, a ponto de sugerir que Kiev precisa de um novo líder.
China e Índia, entre os maiores compradores de petróleo russo, já tinham demonstrado receio com o projeto de sanções. Pequim declarou que se opõe, de forma consistente, a uma jurisdição de alcance tão amplo e sem base no direito internacional, e Nova Délhi alertou Washington de que novas tarifas poderiam afetar as relações bilaterais.
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