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Brasil é o 2º maior importador de agrotóxicos proibidos na União Europeia, aponta relatório

Estudo da Oxfam estima que o país recebeu 15 mil toneladas desses produtos em 2024; seis dos dez pesticidas mais vendidos no mercado brasileiro são proibidos no bloco europeu

17/10/2026 às 08h00
Por: Cristiane Cirilo
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Getty Images/iStockphoto
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O Brasil foi o segundo maior importador de pesticidas proibidos para uso na União Europeia (UE) em 2024, com cerca de 15 mil toneladas recebidas, segundo relatório da organização internacional Oxfam divulgado nesta sexta-feira (16), Dia Mundial da Alimentação. Os Estados Unidos lideraram a lista.

O levantamento aponta que empresas europeias continuam fabricando e exportando substâncias consideradas perigosas demais para serem utilizadas nos próprios países do bloco. Para a Oxfam, essa prática expõe trabalhadores rurais, comunidades e o meio ambiente a riscos em países que recebem esses produtos, principalmente no Sul Global.

De acordo com o relatório, os países da União Europeia exportaram quase 122 mil toneladas de pesticidas proibidos dentro do bloco em 2024. O volume representa mais que o dobro do registrado em 2018. Ao todo, 93 países importaram esses produtos, e 75% deles são classificados pela organização como países de baixa ou média renda do Sul Global.

A diretora da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, critica a diferença entre as regras adotadas para proteger a população europeia e a permissão para comercializar os mesmos produtos no exterior.

“Não é aceitável que a União Europeia proíba determinados agrotóxicos para proteger sua própria população e, ao mesmo tempo, permita que essas mesmas substâncias sejam produzidas e exportadas para outros países”, afirmou.

Brasil concentra uso de pesticidas perigosos

Segundo a análise da Oxfam, os agrotóxicos classificados como altamente perigosos (AAPs) representam 49% dos produtos vendidos no Brasil. Na Alemanha, a proporção é de 12%, conforme os dados citados no estudo.

O relatório também aponta que seis dos dez pesticidas mais vendidos no mercado brasileiro são proibidos na União Europeia. Segundo a entidade, esses produtos continuam sendo aplicados em lavouras e em áreas próximas a florestas, por meio de tratores, aviões e drones.

A Oxfam relaciona o uso intensivo desses produtos ao modelo agrícola baseado em grandes monoculturas voltadas à exportação, como soja, café e cana-de-açúcar, que, segundo a organização, apresentam elevada dependência de agrotóxicos.

Os pesticidas altamente perigosos representam cerca de um terço dos ingredientes ativos utilizados mundialmente, de acordo com o relatório. A entidade alerta que a exposição pode atingir não apenas os alimentos produzidos, mas também trabalhadores rurais, moradores de áreas próximas às plantações e ecossistemas.

Mercado concentrado em grandes empresas

O levantamento também destaca a concentração econômica no setor de pesticidas. Segundo os dados analisados pela Oxfam, quatro empresas controlam 61% do mercado global desses produtos e obtiveram aproximadamente 2,7 bilhões de euros — cerca de R$ 15,37 bilhões — em receitas com a venda de pesticidas altamente perigosos.

Para a organização, esse modelo concentra os ganhos financeiros em grandes companhias, enquanto parte dos riscos à saúde e ao meio ambiente recai sobre as populações dos países importadores.

“Esse duplo padrão transfere os riscos para trabalhadores rurais, comunidades e territórios do Sul Global, enquanto os benefícios econômicos ficam concentrados em poucas empresas”, afirmou Viviana Santiago.

A diretora defende mudanças nas regras internacionais para impedir a exportação de substâncias proibidas nos países fabricantes.

Brasil registrou 725 novos agrotóxicos em 2025

O relatório também chama a atenção para o ritmo de autorizações de agrotóxicos no Brasil. Segundo a Oxfam, o país registrou 725 novos pesticidas autorizados em 2025, número quase 10% superior ao recorde anterior, de 663 registros em 2024.

A quantidade de registros, por si só, não significa que todos os produtos tenham sido efetivamente comercializados ou utilizados no país. Para avaliar o impacto do setor, também é necessário considerar quais substâncias foram autorizadas, os volumes vendidos, as condições de aplicação e os mecanismos de fiscalização.

A Oxfam defende o fim das exportações de agrotóxicos proibidos na União Europeia e a adoção de regras que priorizem a proteção da saúde humana e do meio ambiente. Os números apresentados fazem parte da análise da própria organização e refletem os dados reunidos no relatório.

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