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Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,79 bilhões em agosto

Quase 24 milhões de pessoas físicas têm valores a resgatar; consulta pode ser feita gratuitamente pelo sistema do Banco Central

14/10/2026 às 07h29
Por: Cristiane Cirilo
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Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O volume de dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras chegou a R$ 5,79 bilhões em agosto de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (13). Desse total, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,48 bilhão estão disponíveis para 2,36 milhões de empresas.

O montante representa um aumento de 2,6% em relação aos R$ 5,65 bilhões registrados em julho. A alta ocorre após a redução dos recursos disponíveis para resgate, provocada pela transferência de parte do dinheiro para o programa federal de renegociação de dívidas Desenrola 2.0.

Os valores podem ser consultados pelo Sistema Valores a Receber (SVR), plataforma oficial do Banco Central que reúne informações sobre recursos mantidos em instituições financeiras e ainda não resgatados pelos titulares.

Onde está o dinheiro

Os bancos concentram a maior parcela dos recursos disponíveis, com R$ 2,46 bilhões, o equivalente a 42,4% do total. As administradoras de consórcios aparecem na sequência, com R$ 1,97 bilhão, seguidas pelas cooperativas de crédito, com R$ 805,6 milhões.

As instituições de pagamento reúnem R$ 369,6 milhões, enquanto as financeiras concentram R$ 121 milhões. Corretoras e distribuidoras têm R$ 68 milhões disponíveis, e outras instituições somam R$ 5 milhões.

A maior parte dos beneficiários tem direito a quantias pequenas. Segundo o levantamento, 69,4% dos valores a receber são de até R$ 10. Outros 18,95% estão na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100. Valores entre R$ 100,01 e R$ 1 mil representam 9,39% dos casos, enquanto 2,21% dos beneficiários têm mais de R$ 1 mil a resgatar.

Como consultar e solicitar o resgate

A consulta deve ser feita exclusivamente pelo Sistema Valores a Receber, no site oficial do Banco Central. Para verificar se há dinheiro disponível, pessoas físicas precisam informar o CPF e a data de nascimento. No caso de empresas, são solicitados os dados correspondentes.

Quando houver valores a receber, o sistema informa a instituição responsável e apresenta as orientações para solicitar a devolução. Para realizar o resgate, pode ser necessário acessar a plataforma com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, além de aceitar o termo de responsabilidade.

Quando a devolução por Pix estiver disponível, o pagamento poderá ocorrer em até 12 dias úteis, conforme as condições informadas pelo serviço. Quem não tiver uma chave Pix deverá entrar em contato com a instituição indicada para combinar outra forma de recebimento.

Também é possível consultar valores de pessoas falecidas. Nesses casos, a solicitação deve ser feita por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, de acordo com as exigências aplicáveis.

O dinheiro esquecido pode ter diferentes origens, como saldos de contas correntes ou poupanças encerradas, tarifas cobradas indevidamente, recursos de consórcios finalizados, contas de pagamento encerradas e sobras de cooperativas de crédito.

Banco Central alerta para golpes

O Banco Central informa que o serviço é gratuito e que não é necessário contratar intermediários para consultar ou recuperar os recursos.

A orientação é utilizar apenas o endereço oficial do sistema, evitar links suspeitos recebidos por mensagens e não compartilhar senhas ou códigos de acesso. O órgão também alerta que não envia links nem entra em contato para solicitar dados pessoais ou confirmar informações sobre valores disponíveis.

Recursos foram transferidos para o Desenrola 2.0

Em maio, o governo anunciou o uso de recursos esquecidos em instituições financeiras para viabilizar o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas. No fim daquele mês, cerca de R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), que oferece garantias às instituições financeiras em operações de crédito.

O mecanismo pode cobrir parte das perdas dos bancos em caso de inadimplência dos tomadores de empréstimos. Segundo o governo, 10% do saldo transferido ficariam reservados para atender a eventuais pedidos de resgate dos titulares dos valores.

A operação passou a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura o uso de recursos em programas federais fora do Orçamento da União. A análise envolve os efeitos dessa movimentação sobre a transparência e o controle fiscal, já que recursos movimentados fora do orçamento não estão sujeitos aos mesmos limites aplicáveis às despesas públicas.

A inclusão formal desses gastos no orçamento poderia exigir o bloqueio de outras despesas discricionárias do governo.

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