18°C 22°C
Belo Horizonte, MG
Publicidade

Brasil amplia estratégia para produzir imunoglobulina e outros medicamentos derivados do sangue

Acordo prevê fornecimento e transferência de tecnologia para fabricação nacional; hemocentros também receberão R$ 38 milhões para qualificar serviços

03/10/2026 às 09h00
Por: Cristiane Cirilo
Compartilhe:
Ministério da Saúde
Ministério da Saúde

O Brasil deu mais um passo para ampliar a produção nacional de imunoglobulina, medicamento usado no tratamento de imunodeficiências, infecções bacterianas e alguns tipos de câncer do sangue. A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a chinesa Tiantan Bio assinaram, na sexta-feira (2), em São Paulo, um acordo de cooperação que prevê o fornecimento do medicamento e ações para transferência de tecnologia.

A parceria inclui a cooperação para o registro no Brasil de uma imunoglobulina humana de uso intravenoso. Também estão previstas etapas de licenciamento e transferência de tecnologia para a Hemobrás, com os detalhes do fornecimento e da produção sendo definidos em acordos específicos e seguindo as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A imunoglobulina é produzida a partir do plasma humano e faz parte do grupo de medicamentos derivados do sangue utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia busca ampliar a capacidade nacional de fabricação e reduzir a dependência de fornecedores externos.

O acordo também prevê cooperação tecnológica entre a Hemobrás e a empresa chinesa em áreas como transformação digital, automação e gestão de processos. A intenção é ampliar a capacidade produtiva e melhorar a segurança do abastecimento de hemoderivados.

Paralelamente, o Ministério da Saúde anunciou um incentivo federal de R$ 38 milhões para os hemocentros de todo o país. O recurso será distribuído de acordo com critérios relacionados à qualidade da gestão, eficiência dos serviços, capacidade de encaminhamento de plasma para a Hemobrás, cobertura da rede, aumento das doações voluntárias e redução do desperdício de componentes do sangue.

A medida envolve uma rede de 2.097 serviços de hemoterapia em todo o país. Desse total, 1.722 fazem parte da rede pública e atuam na coleta, processamento, armazenamento e distribuição de sangue e hemocomponentes.

A estrutura dos hemocentros também passa por modernização. Equipamentos destinados ao processamento e à conservação do plasma foram distribuídos entre outubro de 2025 e setembro de 2026. Segundo o Ministério da Saúde, a medida deve aumentar em cerca de 30% a capacidade de armazenamento do plasma destinado ao uso industrial.

O plasma é a matéria-prima utilizada na produção de medicamentos como imunoglobulina, albumina e fatores de coagulação. Com maior capacidade de armazenamento, a expectativa é ampliar o volume de plasma disponível para a Hemobrás e, consequentemente, a produção nacional de hemoderivados.

“Eu fico muito feliz que a gente está combinando no dia de hoje uma parceria que mostra a importância dos hemocentros para a população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Além da imunoglobulina, a Hemobrás anunciou outras iniciativas voltadas à produção e ao desenvolvimento de medicamentos para doenças do sangue.

A estatal deverá iniciar a criação de um Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento, com investimento de R$ 50 milhões do Novo PAC. A estrutura será voltada à pesquisa aplicada, desenvolvimento de processos e avaliação de tecnologias para biofármacos, medicamentos hemoderivados e outros produtos estratégicos para o SUS.

Também está prevista uma parceria com a Roche para apresentar uma proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) do emicizumabe, medicamento utilizado na prevenção de sangramentos em pessoas com hemofilia A. O projeto prevê transferência de tecnologia e produção nacional, caso a PDP seja aprovada.

Outra iniciativa envolve a Hemobrás, a FarmaVax, unidade EMBRAPII de Inovação de Fármacos e Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a própria EMBRAPII e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep). O projeto terá R$ 5 milhões para pesquisa e desenvolvimento de uma terapia genética para hemofilias A e B baseada no uso de nanopartículas para entrega do tratamento.

As iniciativas fazem parte da estratégia de ampliar a capacidade brasileira de desenvolver e produzir medicamentos biológicos e derivados do sangue destinados ao SUS.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.