
A dermatite atópica é uma doença inflamatória e crônica que pode ir muito além das lesões na pele. A coceira intensa, um dos principais sintomas, pode prejudicar o sono, afetar o desempenho na escola e no trabalho e interferir na autoestima e na vida social.
A doença costuma apresentar períodos de melhora e piora. Em alguns casos, as crises provocam feridas, dor e sensibilidade, tornando atividades simples, como tomar banho, vestir uma roupa ou deitar na cama, difíceis.
A estudante de medicina Clara Emery, de 23 anos, convive com a dermatite desde a infância. Nas crises mais graves, chegou a precisar de antibióticos para evitar infecções nas feridas e relata que até o contato com água e tecidos provocava dor.
“Minha mãe fala que assim que eu saí da barriga, eu já tinha dermatite atópica. Eu me lembro vividamente da minha infância, a evolução da doença, os vários fatores que a desencadeavam”, conta.
As lesões aparecem com frequência em regiões de dobras, como atrás dos joelhos, nos cotovelos e no pescoço. Também podem surgir no rosto, ao redor dos olhos e nas mãos.
Entre os fatores que podem desencadear ou agravar as crises estão condições ambientais, suor, calor, poeira, ácaros e estresse. A resposta varia de pessoa para pessoa.
Além dos sintomas físicos, o impacto emocional pode ser significativo. Clara relata que sofreu preconceito na infância e chegou a evitar situações de convivência social por causa das lesões.
A dermatologista Rosana Lazzarini, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que a dermatite atópica pode comprometer a qualidade de vida, principalmente quando a coceira interfere no sono. Em crianças, o problema pode resultar em perda de aulas, afastamento de atividades sociais e impactos no desenvolvimento psicossocial.
A doença também não é contagiosa. Mesmo assim, as marcas na pele podem provocar preconceito e situações de bullying por falta de informação.
O dermatologista Roberto Takaoka, presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA), afirma que é comum pacientes enfrentarem dificuldades relacionadas ao sono, isolamento social e saúde emocional.
O dia 23 de setembro é considerado o Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica. A data foi oficializada no Brasil pela Lei 14.916/2024 e busca ampliar a informação sobre a doença e combater o preconceito.
O diagnóstico da dermatite atópica é clínico. Não existe um exame laboratorial específico capaz de confirmar a doença. O médico avalia as características das lesões, o histórico do paciente, a duração dos sintomas e a presença de coceira persistente. Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados para descartar outras doenças.
Segundo Rosana Lazzarini, um dos principais cuidados é manter a pele hidratada para preservar a barreira cutânea. Cremes e loções hidratantes podem precisar ser aplicados várias vezes ao dia, especialmente em períodos de crise.
Os cuidados durante o banho também fazem parte do tratamento. A recomendação é evitar água muito quente, reduzir o tempo do banho e utilizar pouco ou nenhum sabonete, conforme orientação médica.
Dependendo da intensidade da doença, podem ser utilizados medicamentos para controlar a coceira e a inflamação. Corticosteroides tópicos podem ser indicados para determinadas regiões do corpo, enquanto casos mais graves podem exigir outros medicamentos.
Também existem tratamentos como a fototerapia com UVB de banda estreita e medicamentos que atuam diretamente em mecanismos do sistema imunológico. Essas opções são avaliadas de acordo com a gravidade e a resposta de cada paciente.
Clara, que atualmente utiliza tratamento imunobiológico, afirma que a terapia trouxe maior controle sobre as crises. Segundo ela, antes do tratamento, a doença interferia de forma intensa na rotina e no bem-estar.
A dermatite atópica é uma condição crônica e, por isso, o objetivo do tratamento é controlar os sintomas e reduzir a frequência e a intensidade das crises. Segundo especialistas, não há uma solução única para todos os pacientes, e o acompanhamento médico é necessário para definir a melhor estratégia.
A hidratação regular da pele continua sendo um dos pilares do cuidado, enquanto medicamentos específicos são indicados de acordo com a gravidade do quadro. A avaliação com dermatologista é importante principalmente quando a coceira é persistente, surgem feridas ou há sinais de infecção.
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