
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como de nível crítico o risco de influência e interferência externa dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro de 2026. O alerta consta de um relatório reservado sobre ameaças às eleições, encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.
Segundo a avaliação da agência, há uma tendência de escalada da pressão exercida por Washington sobre o Brasil. O documento aponta uma intensificação e uma mudança na forma de atuação dos Estados Unidos, embora considere que o movimento esteja inserido em um padrão mais amplo de influência norte-americana na América Latina.
O relatório relaciona esse cenário às diretrizes do segundo governo de Donald Trump para a região. Entre os objetivos identificados pela Abin estão a redução da influência de potências concorrentes, especialmente a China, e a ampliação da influência dos Estados Unidos sobre questões estratégicas, econômicas e políticas latino-americanas.
Na avaliação da inteligência brasileira, a posição do Brasil nesse cenário aumenta a importância do país para a disputa de influência na região. O documento cita a capacidade brasileira de manter maior autonomia nas relações internacionais e relaciona essa condição a diferentes formas de pressão econômica, comercial e diplomática.
As medidas adotadas pelos Estados Unidos contra brasileiros e empresas também aparecem no relatório como parte do contexto analisado pela Abin. A agência avalia que sanções e outras iniciativas podem produzir efeitos econômicos e políticos e considera que essas ações passaram a ter relação mais direta com o ambiente institucional brasileiro.
O documento também menciona uma proposta de declaração conjunta discutida entre os governos brasileiro e norte-americano. Segundo as informações divulgadas sobre o relatório, a minuta previa compromissos relacionados à realização de eleições livres e justas em 2026 e à participação de pessoas classificadas no texto como “dissidentes políticos”. A proposta não foi aceita pelo governo brasileiro.
A Abin trata esses episódios como elementos de um cenário de risco para o processo eleitoral, e não como comprovação de que o sistema de votação brasileiro tenha sido alterado. O relatório avalia a possibilidade de influência externa sobre o ambiente político e institucional durante o período eleitoral, sem afirmar que os Estados Unidos tenham modificado votos ou o resultado das eleições.
O alerta ocorre a poucas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para outubro. Ao encaminhar o documento ao governo, ao TSE e ao Ministério da Justiça, a Abin colocou a atuação estrangeira entre os fatores de risco monitorados pelas instituições brasileiras durante o processo eleitoral. Como se trata de um relatório reservado, parte das informações divulgadas sobre seu conteúdo é conhecida por meio da reportagem que teve acesso ao documento.
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